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« Manifestação das 7 leis no trabalho do instrutor »

ru1997,Idioma original: RussoLer no idioma original
Autor: Elena SikirichPresidente da associação cultural « Nova Acrópole » na Rússia; filósofa e psicóloga.
Tradução automáticamateriais internos da Nova Acrópole

Fonte: no-acropol.info

A instrução de hoje também será dedicada às Leis de que falámos ontem. Sete Leis, sete planos. Só que agora vamos olhar, do ponto de vista do instrutor, de que modo elas poderiam ser aplicadas, para voltarmos outra vez ao conceito global da formação de instrutores, aos pontos que temos de manter presentes na mente. Isso é especialmente importante não apenas para os instrutores de grande palco, mas também para os pequenos instrutores de nível zero. Ou seja, para aqueles que ainda não conduzem nem pequenos grupos nem grandes palestras, mas que trabalham com as pessoas, de uma forma ou de outra, dentro da linha, dentro dos ciclos zero e primeiro, para que haja pelo menos um certo eixo para o contacto com as pessoas, para lhes transmitir um determinado impulso, que é preciso manter constantemente na cabeça.

Vamos tentar pelo menos manter presente o que corresponde a cada Lei. Lembro-vos os planos. Começamos de cima e descemos.

Para o plano de Atma (Vontade, Lei) — a Lei da Unidade.

Depois — a Lei da Iluminação ou Consagração (plano de Buddhi — intuição).

Plano de Manas (mente superior) — Lei da Diferenciação.

Depois — a organização (kama-manas — mente inferior).

Depois — a Lei da Psíquicidade — Astral, psique.

A Lei da atividade, da ação — prana, energia.

E a última, todos se lembram — a Lei da periodicidade, dos ciclos — plano físico.

Como pensam que poderíamos aplicá‑las à formação de instrutores, ao modelo de instrutor?

Se se lembram, a Lei da Unidade é o princípio orientador que conduz todos a um único Destino universal, através do caminho da evolução. Como se dizia: se ele pergunta quantos vocês são, respondem: «Um». Dizia‑se que ela está ligada à tomada de consciência de pertencer a um organismo, pequeno ou maior, à consciência de que somos parte de algo mais vasto. E dizia‑se que isso está ligado à consciência da cadeia, ou seja, ao princípio da emanação ou da transmissão do fogo, segundo o qual foi criado todo o Universo. Existe o Absoluto primordial — o primeiro fogo. Ele transmite o seu fogo ao segundo, o segundo gera o terceiro — transmite o seu fogo. E assim até ao ser mais pequeno do Universo. E, deste modo, aquele que transmite o fogo nada perde, não se altera, não diminui, permanece o mesmo. E cada elO da cadeia é simultaneamente pai e filho, mestre e discípulo. Recebe de alguém, dá a alguém. Por isso, ontem, quando falávamos das características gerais do princípio da Unidade, dizíamos que em cada um de nós reside uma partícula de todos os que se encontram connosco na mesma cadeia. Ou seja, uma partícula do pai, uma partícula dos pais. Em cada um de nós vive uma parte da alma daquele que nos deu a vida. Vive o HAL, vivo eu, e assim por diante, e assim por diante. Como se pode aplicar isto ao instrutor? Primeiro digam vocês, e depois eu darei as minhas considerações. Já vos dei as teses principais. Como aplicariam isto a vocês próprios? Que pontos‑chave veem em vocês, como instrutores, dentro do princípio da Unidade?

………

Mais ou menos ouvimos vários pontos. Na realidade, todos se reduzem ao mesmo. Em primeiro lugar, quando falarmos não apenas da Lei da Unidade, mas de todas as Leis, devemos separar dois aspetos, para depois os unificar. Os aspetos que dizem respeito ao próprio instrutor e os aspetos que dizem respeito à realização da palestra ou do encontro segundo estes princípios. Se falarmos dos aspetos relativos ao próprio instrutor, há um eixo fundamental, que vocês entenderam como algo evidente: o instrutor, segundo a Lei da Unidade, não transmite nada de próprio. Não transmite o que é seu, mas a essência. Ponto‑chave. A ideia que deve transmitir não é dele. E, segundo o princípio da emanação, se tivermos em conta a Lei da Unidade, o instrutor, em primeiro lugar, deve transmitir a essência, a ideia, o arquétipo do organismo de que é parte integrante. Os arquétipos, ideias, elementos fundamentais daquilo a que chamamos ideologia da Acrópole. Esse é o primeiro ponto. Portanto, a nossa primeira tarefa, em todos os nossos encontros, nas palestras, nas conversas individuais, como diz A Voz do Silêncio: «Conseguiste harmonizar a tua alma com…». Harmonizaste as tuas suposições, os teus pontos‑chave com o coração, a doutrina e a filosofia da Acrópole? E aqui, no que diz respeito à Lei, do ponto de vista do instrutor, não existem dez mil doutrinas. Não existem dez mil compreensões diferentes da doutrina. Existem dez mil formas diferentes dentro das quais se expõem as mesmas ideias. E, neste contexto, a primeira e principal tarefa, não só do instrutor mas também do dirigente — agora falamos no contexto da palestra — é não se desviar do caminho, não afastar‑se, não deturpar. Não dar interpretações livres, próprias, que não tenham fundamento já confirmado, no âmbito da própria filosofia da Acrópole, por um ou outro conjunto de hipóteses, pelas palavras do HAL, dos clássicos, de Blavatsky, minhas, etc. Por «clássicos» entendo os autores que, nesta cadeia de transmissão da sabedoria, aí se encontram desde tempos imemoriais e são já reconhecidamente uma autoridade. Portanto, certa liberdade é permitida, mas no contexto de que qualquer suposição, qualquer hipótese deve ter confirmação nas palavras de alguém ou em ensinamentos considerados de autoridade. Se não houver confirmação, então vamos procurá‑la. E, até a encontrarmos, não transmitimos. Informamo‑nos, perguntamos, pensamos, refletimos, para que as coisas sejam digeridas. Esse é o primeiro ponto, do ponto de vista do instrutor.

O segundo ponto é, na realidade, o célebre princípio da emanação de que falámos quando abordámos a Lei da Unidade, que é muito atual para o instrutor. Quando é que o instrutor transmite? Se temos um sistema de tochas, se acendemos uma tocha com o fogo primordial, aquele segundo fogo que se cria possui todas as características do primeiro, mais as características acrescentadas pelo material que arde. Então, quando fazemos uma palestra, quando conduzimos um encontro, o que fazemos, na realidade? Esse encontro que conduzimos — é único, o primeiro, ou…? Por um lado é único, mas, do ponto de vista da Unidade, é apenas um elo da cadeia. Portanto, se falarmos do princípio da emanação, podemos aplicá‑lo tanto ao plano horizontal como ao vertical. No plano horizontal, no que diz respeito ao encontro que preparo, aos temas, às abordagens, devo sempre ligar‑me a alguém. Devo sempre saber de que e de quem sou continuação. Quer dizer, cada palestra, cada encontro meu deve ter fundamento nos anteriores. Se eu falar dos estóicos, não posso expor os estóicos sem, pelo menos indiretamente, me referir à palestra anterior, que foi sobre Buda, ainda que tenha sido outra pessoa a dá‑la. Indiretamente. Ou seja, ligando numa única cadeia e referindo‑me àquele que deu a aula antes de mim. Se, antes de mim, o instrutor era mais calmo, então eu devo ser mais dinâmica. Como continuação, como complemento do que houve antes. Está claro? Isto é especialmente importante não só nas palestras, mas também nos encontros que, em diferentes momentos, são conduzidos por pessoas diferentes. Se vocês conduzem o ciclo zero, por exemplo, ele deve ser continuação do dia de portas abertas. Se conduzem um pequeno grupo, ele deve ser continuação da última palestra formativa geral que as pessoas ouviram, e um complemento do instrutor que conduz o grupo. Ou seja, do ponto de vista do instrutor, vocês devem ter sempre em mente a ideia de que não começam do zero o processo instrutivo, mas que isso é como uma estafeta, e vocês apenas recebem a tocha, para mais tarde a passarem ao seguinte. Isso significa preocupar‑se não só com o que foi, mas também com o que será. Ou seja, se falarmos do plano horizontal, se vocês conduzem um pequeno grupo, um encontro, uma palestra, devem ter em mente, automaticamente, o que virá depois. Qual será o tema seguinte. Que encontro virá a seguir. Até, se possível, que instrutor o irá dar. Se não sabem, então precisam de anotar no vosso diário: perguntar a quem sabe. Se nem ele sabe, então terão de o obrigar a dizer‑vos. Para quê? Para que, ao realizarem o vosso encontro, possam já tirar conclusões e preparar o público para o seguinte. Não só com palavras. Preparar o terreno para o instrutor seguinte, para o impulso seguinte, para o tema seguinte. E prever isso na vossa intervenção. A essência (agora falo do plano horizontal) é que consigamos criar essa cadeia de impulsos. E que saibam que são responsáveis não só por vocês, pela vossa aula, mas que, do ponto de vista da Lei da Unidade, são responsáveis pelo processo de transmissão do impulso. Como um elo da cadeia. E que, pelo menos, devem receber o impulso daquele que esteve antes de vocês, que ele deve preparar o terreno para vocês, preparar o terreno para que vocês sejam bem recebidos. E vocês devem preparar o terreno para que o próximo instrutor, o tema seguinte e a aula seguinte sejam igualmente bem recebidos. Este aspeto, para nós, ainda é nebuloso, e assim continuará por muito tempo, mas temos de começar a tomá‑lo consciência.

E agora, do ponto de vista da Lei da Emanação, quanto a este princípio no plano vertical, ou seja, da cadeia que desce de cima. Ontem falámos disso, e muitas vezes também nos encontros de instrutores: cada um de nós tem uma partícula do Mestre. E, ao fazer uma palestra, ao conduzir uma aula, qualquer conversa, qualquer diálogo de caráter formativo, cada um de vocês é obrigado a dar uma partícula de si próprio. Embora isso soe abstrato e teórico, se o encontro foi conduzido como deve ser, então uma parte de vocês fica na pessoa. Como ela se desenvolverá, que direção tomará, o que isso dará — ou se dará alguma coisa — já é problema da pessoa a quem transmitiram. Então, o primeiro ponto que é preciso consciencializar é que nós transportamos uma partícula do HAL. Não digo a minha. Estamos a falar agora do elo principal, fundamental, que nos liga, digamos assim, ao mundo dos Arquétipos. Dizíamos que, na realidade, fazer bem uma palestra, conduzir bem um encontro, pequeno ou grande, significa fazê‑lo como se, no nosso lugar, estivesse ele. Ou seja, transmitir essa parte do fogo primordial, mas com os nossos próprios acréscimos. O modelo ideal é imaginar que damos aos pensamentos dele os nossos exemplos, a nossa cor. Isso é muito difícil. Mas este ponto, do ponto de vista da Lei da Unidade, também começa a ser posto em prática a partir da tomada de consciência da sua necessidade. Podem incluir‑me a mim também nesta equação. Quando, do ponto de vista da Lei da Unidade, preparo uma palestra, faço‑me a pergunta: como explicaria isto o HAL? Para isso, vocês conhecem o HAL suficientemente, já leram o folheto verde. Bastam até algumas frases dele para perceber o estilo. Não porque criemos um culto ao HAL, mas porque a partícula do fogo do Mestre, através da qual ele nos transmitiu outros fogos, outra sabedoria ainda inacessível para nós, já foi testada e deve ser transmitida adiante. Porque, quando o HAL fazia uma palestra, quando conduzia um encontro, quando nos falava ou escrevia, ele sempre escrevia, conduzia o encontro, lia e falava segundo o modelo de como o tinham ensinado a ele. Acrescentando os seus próprios elementos, que criavam o seu estilo próprio. E, quando lemos o HAL, quando o escutamos, uma pessoa sensível, um instrutor sensível, pode captar de imediato o belíssimo sistema segundo o qual Sri Ram e outros Mestres ensinaram o HAL. Porque, para uma pessoa fina, isso vê‑se claramente. E eu espero muito que, se às vezes consigo ser uma boa instrutora (e se vocês não o sentiram, então sou uma má instrutora), que, através da forma, por vezes, quando vos ensino, possam sentir como o HAL me ensinou a mim. Essa forma não é minha. E, através de alguns exemplos, certos momentos, nem sempre, infelizmente, vocês, através de mim, podem unir‑se ao HAL. E agora vocês devem ser o elo seguinte da cadeia.

Em primeiro lugar, as pessoas, os membros, sentem falta da Lena. Ela também é um elo. E, se, através dos encontros, das palestras que vocês dão, por um instante as pessoas pudessem perceber que «é exatamente assim que ela (Delia) lhes falava, assim os ensinava», então poderiam entender como o HAL me ensinou e como os Mestres ensinaram o HAL. Esta é a questão importante. E, embora a preparação inicial da palestra, do encontro e a concentração inicial antes do encontro comecem, normalmente, com a primeira pergunta que eu vos faço no instrutório: «Como explicarias isto com as tuas próprias palavras?», é preciso elevar um pouco a questão. Para vos ser mais fácil e para que possamos transmitir aquilo a que chamamos oficialmente de ideologia da Acrópole, a primeira pergunta que passaremos a fazer é: como o faria o HAL? E garanto‑vos que eu, por exemplo, sobretudo para os encontros formativos, sempre que me sento para me preparar, depois de recolher e ler um monte de material, faço sempre a mim própria a primeira pergunta: o que diria o HAL? Isto é, para mim, o eixo. E depois: certo, assim, assim e assim. Sabendo como o HAL explicaria, ele nunca se perderia em frases intelectuais. Explicava sempre, de forma simples, o que era mais difícil. Existem muitas características estáveis. Então, sento‑me e procuro primeiro como ser semelhante a ele. E, quando apanho o eixo da abordagem dele, do estilo dele, dos seus pontos‑chave, da sua profundidade, da sua simplicidade, da sua força, da sua dinâmica, etc., quando vejo tudo isso, então sim, acrescento o meu. E isso é muito importante para que a palestra, do ponto de vista metafísico, esteja metafisicamente viva; do ponto de vista das iniciações — mistéricamente viva; do ponto de vista do propósito — viva. E o último ponto, e última razão, não menos importante: para que possam vir à palestra, ao encontro, com plena confiança em vocês mesmos. Como é que costuma ser antes da palestra, do encontro, sobretudo quando é a primeira palestra, o primeiro encontro? Quando estamos nervosos, desesperadamente, cinco minutos antes, no metro, ou à espera de começar, voltamos a ler, a decorar, e lá vamos. O facto de o caderno estar debaixo do braço, de o folhearmos, dá confiança à persona. A persona só se pode acalmar com elementos humanos, e, na realidade, apenas depois da palestra. Mas precisamos de outro tipo de tranquilidade, que é especialmente importante quando, durante a palestra, sobretudo na preparação, não sabemos realmente o que dizer, por onde começar, como abordar o tema. Às vezes vamos como um saco vazio. Trinta páginas, letra pequena, não conseguimos orientar‑nos. E o que isso dá? E às vezes nem sequer há tempo para preparar‑se. «Ah, é só um pequeno grupo, não faz mal, não é uma palestra. É só um encontro, são apenas cinco pessoas» — e lá vamos. Para essas situações, é preciso uma tranquilidade mais profunda da alma. Da alma que se apoia no Mestre. É a única entidade em que o ser humano pode apoiar‑se; o resto tem de fazer por si. Digo‑vos isto com base nos meus vinte anos de experiência a dar palestras. E, todas as vezes, como já vos disse dez mil vezes em todos os instrutórios, antes de eventos importantes, fico nervosa, mas uma única ideia me acalma sempre: como agiria o HAL? E, se nem sequer consigo pensar nisso, se, em pânico, nem chego lá, existe um mecanismo automático — a palavra, o conceito «HAL». E pronto. Daí em diante, sigo. Já não é «como ele diria», nem «o que diria», nem «como explicaria», nem «por meio de que exemplos», nem «ajuda‑me», é simplesmente: «HAL!» — e seguimos. Isto, do ponto de vista da Lei da Vontade, da Unidade, do retorno às origens, deve ser para cada instrutor um estado de alma. Vocês têm, além do HAL, mais um pequeno elo intermédio — eu, a Delia. Eu tenho a Delia e tenho o HAL. Mas, quanto ao HAL — é algo verdadeiramente especial. E então ficaremos tranquilos, sabendo que a nossa doutrina não será deturpada. E ficaremos tranquilos, sabendo que não nos afastaremos do caminho, que não permitiremos liberdades que se relacionam muito mais com a nossa persona do que com a verdadeira alma.

E agora, se falarmos da Lei da Unidade na própria palestra. Se pegarmos agora não no próprio instrutor, não no estado interior que ele deve ter. Na realidade, que tipo de unificação devemos realizar na palestra, no encontro? Com quem, e entre quem e quem, devemos unificar? Há uma unificação em três planos, que deve ocorrer durante a palestra, durante o encontro — no plano espiritual, psicológico e físico. No que diz respeito à unificação no plano espiritual e ao facto de, através da palestra, deverem sempre passar momentos de doutrina, filosofia, arquétipos, etc. — isso entendemos. Mas há outra coisa. Há o facto de que cada instrutor é um elo intermédio entre o público, os ouvintes, e esse algo com o qual é preciso unir‑se. E, para que possam unir — ou seja, levar até ao ouvinte essas ideias eternas, esses arquétipos — em primeiro lugar devem unir‑se a eles vocês mesmos. E, no sentido de que todos os ouvintes, independentemente de concordarem ou não convosco, de escutarem ou não o que dizem, devem, ao longo da palestra, unir‑se a vocês. E vocês têm de o conseguir. Isso não existe de início na palestra, já que o público, sobretudo em palestras públicas, é o mais diverso…

…prever certos momentos de criação de simpatia das pessoas por vocês. Criar, logo no início da palestra, os chamados laços invisíveis, graças aos quais poderão depois levar a palestra, ou o encontro, até ao fim. A vossa tarefa, neste contexto, consiste em que, para as pessoas, sobretudo se trabalham com elas durante muito tempo como instrutores, vocês se tornem alguém próximo, familiar. Embora possam nem sequer falar convosco, porque, em grandes palestras, não chegam até vocês. Embora possam não ter nenhuma conversa verbal convosco, ou quase nenhuma. Mas devem fazer tudo o que estiver ao vosso alcance para se tornarem, para eles, nem sequer uma autoridade, mas alguém «da casa», «dos seus». E isso não significa apenas quebrar o gelo inicial, mas construir a palestra — sobretudo a primeira parte do encontro, ou os primeiros encontros, se vão conduzi‑los de modo permanente — de tal forma que passem a gostar de vocês. Não por vocês mesmos, mas para que, gostando de vocês, sentindo um certo calor, respeito, admiração por vocês, possam mais facilmente apreender o que irão transmitir. Porque, se sobe ao palco um «espantalho» e começa a falar do Belo, ao vê‑lo, o Belo não será apreendido. Ou, se entra em cena uma pessoa muito profunda, que derrama ideias e exemplos profundos, mas que não possui esse fluido, essa qualidade como ser humano, como ser, mesmo que alguém o veja pela primeira vez, as pessoas não o receberão. Ele irá transmitir e falar em vão. E atenção: conquistar a simpatia das pessoas não significa apenas brincar com elas, fazê‑las rir ou, como muitos fazem instintivamente, ser enfático, exaltado, falar de coisas sublimes e belas. Não. É algo para o qual não há receitas. É inato em cada um de nós. Cada um de nós, independentemente de vir ou não a ser instrutor, tem em si algo de atrativo e digno de admiração, algo digno de ser contemplado com encanto. E a preparação para o instrutorado e para a palestra significa fazer emergir esse «algo». Não segundo receitas. Mas simplesmente, começando pelo facto de existir o desejo de criar laços com aqueles que vos escutam. O resto — forma, estilo, gestos, abordagem das pessoas — será sugerido pela intuição e pela alma. É também um ponto subtil, que é preciso aprender, primeiro, a consciencializar. Pelo menos mantê‑lo na memória, para que, pouco a pouco, comece a manifestar‑se. Ter em conta, do ponto de vista da unificação, que as pessoas devem ser unidas pela vossa personalidade, pela vossa presença, por vocês, para poderem entender a palestra. Queiram ou não, vocês são o centro. E, como o sol, é a partir desse centro que tudo irradia. Tendo isto em conta, é preciso também perceber que uma coisa é contar, outra é transmitir. Que se pode contar por muito tempo e de modo bonito, mas transmitir é muito mais difícil. E, neste contexto, transmitir significa semear sementes na alma da pessoa. Semear algo. Ou seja, tocar a pessoa com algo. E, do ponto de vista da Lei da Unidade, a transmissão mais bela acontece quando vocês, como centro, sentem o grupo como um organismo único, como um todo. E é preciso tocar não uma pessoa concreta. Não falar para determinadas pessoas simpáticas que olham para vocês e sorriem, enquanto os outros dormem. Mas tocar aquilo a que chamamos alma coletiva do grupo.

E passo logo à unificação na palestra no plano físico; depois voltaremos ao plano psíquico. Unir o grupo significa criar, na palestra, no encontro, uma pequena alma coletiva, ou forma coletiva, um banco coletivo, se se lembram. Ou despertar a alma coletiva. E dirigir‑se não às pessoas em separado, mas à alma coletiva do grupo. E o efeito desse direcionamento será que o que dizem será ouvido por todos. E será relevante para cada um. E, ao preparar a palestra, não precisarão de inventar exemplos para os «especialistas», exemplos para os «candidatos», exemplos para os «médios», etc. Procurarão apenas exemplos. E, se conseguirem esse estado de unidade do grupo, a alma coletiva do grupo, então esse inconsciente coletivo irá distribuir a cada um aquilo que é atual para ele. Ou seja, cada um entenderá, das vossas palavras, aquilo que para ele é atual. É isso que se chama transmitir ou semear. E, daí, do ponto de vista da unificação, é preciso ter muito cuidado para adaptar‑se ao grupo na medida certa. Na medida. Para não seguir a reboque do grupo. Falámos disto em muitos instrutórios. Normalmente, para que nos entendam, simplificamos em excesso, adaptamo‑nos em excesso, compartimentamos tudo, para que sirva «a todos e a cada um». Isso impede a criação dessa alma coletiva. Há coisas que devem ser pronunciadas tal como são. Sobretudo as coisas principais, essenciais. Independentemente do nosso medo de se serão ou não compreendidas. E são justamente essas coisas, ditas para todos sem adaptação, que criam o eixo da alma coletiva do grupo. E então sentem que o grupo vos escuta como um único organismo. E, quando o que dão é aquilo que o organismo «bebe» e distribui pelas células — então alcançaram a unificação.

E o último ponto, no plano psicológico. Que isso seja, para vocês, algo abstrato; eu também estou a semear, um dia entenderão. Do ponto de vista da unificação no plano psicológico, dizíamos que é preciso ensinar as pessoas, não apenas a transmitir‑lhes informação, não apenas transmitir pontos‑chave, mas, dando a palestra, conduzindo o encontro, ensiná‑las a pensar e a sentir, a pensar e a sentir. Ou seja, não apenas esforçar‑se para que entendam algo, mas levar o grupo inteiro a abordagens comuns no pensamento e na emoção. Trabalhar com elas, portanto, no chamado plano psíquico. Para que, assimilando a informação, ao mesmo tempo aprendam a refletir, a sentir, a discernir e a reagir de forma adequada a tudo o que as rodeia. E, neste contexto, também dizíamos — e o HAL diz — especialmente para os instrutores: quando dão uma palestra, trabalham simultaneamente com os sistemas de pensamento, com imagens ou com sistemas de sentir, e tentam transformá‑los, devem sobretudo ensinar as pessoas a aprender com a natureza e com a vida. Ou seja, como diz o HAL, que aquilo de que falam seja apenas um modelo que elas possam aplicar e a partir do qual possam aprender com a natureza e com a vida. O HAL dá um exemplo muito simples. Se falamos de Platão. Em vez de dizer: «Platão, no seu Timeu, fala da Lei dos ciclos, diz que tudo tem o seu começo e o seu fim, tudo morre e renasce», podemos abordar o mesmo Platão de outra maneira. E dizer: «Vocês já olharam para a natureza? Viram a árvore, as folhas? Num certo momento elas morrem, caem da árvore, e depois, na primavera, renascem de novo. É exatamente sobre isso que há na natureza que Platão fala, no seu Timeu, através de tais e tais exemplos». Outro exemplo do HAL: em vez de dizer que os estóicos diziam que é preciso aprender a suportar. «Vocês já viram uma gota de água que cai, durante mil anos, no mesmo ponto?» (isto eu já roubei dele dez mil vezes). E desenvolvemos o tema a partir desse ponto: «Os estóicos diziam que sim, a paciência é…». Ou seja, a abordagem deve ser inversa. Não começar pela informação e terminar nos exemplos, mas, tanto quanto possível, começar pelos exemplos, para que as pessoas aprendam a analisar o que acontece; e terminar na informação, no estudo, como confirmação desses exemplos retirados da vida. E a vossa tarefa, do ponto de vista do trabalho com os pensamentos e emoções das pessoas, é que aprendam, independentemente do tema que ensinam, do encontro que conduzem na linha, que o ser humano pode e deve aprender em qualquer lugar e a partir de tudo. Que o ser humano aprende sempre com tudo, e que, nos encontros, se fazem balanços, se sintetiza o que aprendeu na vida e se utiliza. E, por isso, o HAL chama também a atenção para o facto de que, com os exemplos, é preciso ter cuidado: não devem ser todos do mesmo tipo. Se queremos unir as pessoas numa mesma abordagem de pensar, numa mesma forma de sentir. Se tomamos um ou dois exemplos da natureza, o seguinte deve ser da vida política e social. Depois o seguinte, da ciência; depois, da arte; depois, de alguma notícia ouvida na televisão; a seguir, da vida comum de qualquer pessoa. E, em cada palestra, através dos vossos exemplos, independentemente do tema e do que estiverem a conduzir, a pessoa deve ver esta gama de diferentes situações que são unidas por uma mesma abordagem de pensamento. E dou também exemplos do HAL. Ele diz que se pode aprender muito mais, conduzindo um carro a 180 km/h, do que falando dessa mesma velocidade e dessas sensações numa palestra. E as pessoas devem saber que existe a vida, que em toda a parte e em cada lugar as ensina, e que a confirmação desse ensino elas encontram na vossa palestra. E, se levarmos as pessoas a considerar tudo à volta de modo a que, automaticamente, como um estado de consciência, tirem conclusões, surjam reflexões, apareçam impulsos de compreensão mais profunda, então vocês unem essas pessoas do ponto de vista da segunda característica da discipulagem, a que se chama investigação.

A próxima Lei, a Lei da Consagração, da Iluminação. Arder, espiritualizar, etc., disso falámos ontem. Não existe ser que não seja animado pelo espírito…, que não tenha a sua luz. E o mal, a escuridão — é o afastamento da luz. No plano escolástico, isto já compreendemos. Do ponto de vista da Lei da Consagração, o instrutorado significa transmitir o fogo, acender, arder, inspirar. Isso já vimos dez mil vezes. E também vimos o ponto de que, do ponto de vista da transmissão da luz, é preciso ser, nós mesmos, instrutores permanentemente «febris». Quarenta graus de temperatura, no mínimo. O instrutor tem de estar sempre doente. A mim, como instrutora, chefe, MN, desagrada muito que vocês estejam doentes não de vocês mesmos, mas, do ponto de vista da Lei da Iluminação, deviam estar doentes pela ideia, pelo sonho do que vão transmitir. E, neste contexto, não apenas de modo simbólico, mas muito concreto, o instrutor deve realmente ser um pouco doente. Do ponto de vista do instrutor, do ponto de vista da Lei da Consagração, ele deve estar doente não apenas pelo tema em si, não apenas pela informação concreta que expõe, mas pelo próprio instrutorado, pelo próprio facto de ser instrutor, pelo próprio facto de transmitir. Em primeiro lugar, para se tornarem bons instrutores, apesar de, como eu, sempre vos ficar o medo, o cansaço: «Ai, outra palestra outra vez», lá no fundo devem desejar, sonhar, amar ser instrutores. Isso chama‑se estar doente pela ideia. Estar doente pelo próprio instrutorado. E, de tempos a tempos, para que a vida se torne mais fácil, poderiam pensar até que ponto o instrutorado não é uma responsabilidade terrível, um dever, mas algo de belo, algo maravilhoso, uma honra. Que, do ponto de vista da Lei da Consagração, transmitir o fogo é um processo belíssimo. Mesmo que ninguém vos entenda, que ninguém receba nada, que ninguém assimile nada. Pois que seja. Vocês devem ser artistas da vossa arte, amar a vossa arte de transmitir, viver dela. Aqui parafraseio Marco Aurélio: «Será que o oleiro ama mais os seus vasos, será que o ferreiro ama mais as suas espadas, será que o lavrador ama mais as suas sementes e a sua horta do que o instrutor ama o próprio processo de transmitir e os seus discípulos?» E, embora seja uma frase que já soou dez mil vezes de todos os lados — «o instrutorado é missão, é preciso viver disso» — estou certa de que, se vos acordasse às quatro da manhã, todos mo repetiriam de cor, porque já vos foi martelado tantas vezes. Mas, então, por que vejo, entre os instrutores do ciclo zero e do palco superior, tão poucos instrutores por vocação, por destino? Que sintam esta tarefa como a sua vocação, como o seu destino, como algo sem o qual simplesmente não poderiam viver, porque existiria um vazio por preencher, como algo a que é preciso aspirar, pelo qual é preciso lutar, que é preciso amar, e em que é preciso esperar. E vi pouquíssimos instrutores que, quando eu os presenteei com a primeira palestra ou o primeiro pequeno grupo, não o tenham recebido como mais um trabalho forçado, ou como um simples «presente». Não vale a pena disfarçar. Não há aqui nada a esconder. Para além de se estar «presente», é preciso ser instrutor na alma. E, se durante as aulas de instrutorado, por minha culpa (posso falar‑vos de forma muito aborrecida) ou não por minha culpa, vocês não vierem a amar, não vierem a querer tornar‑se instrutores, então eu terei um grande problema. E, se voltarmos ao HAL, à Delia, à minha pequena e modesta pessoa, penso que somos culpados de todos os pecados, mas que amamos transmitir — isso sim. Talvez não saibamos fazê‑lo, é nosso, e que, ai de nós, se por acaso nos cancelam uma palestra, uma oportunidade de transmitir algo, de contar algo, de acender algo, então deixamos de ser nós mesmos. Ficamos como ramos secos, arrancados das raízes e sem recarregar‑se. Não é por acaso que volto sempre ao meu baço, para vos fazer rir outra vez. Todos me protegem, me poupam, mas eu pedia para me darem o primeiro ciclo e dizia que, para sustentar o primeiro ciclo… não, não o primeiro ciclo, mas a mim mesma. Porque sei que, desde o momento em que me ponho diante das pessoas, quando já não há para onde fugir — mesmo que o estômago ronque, mesmo que alguém esteja no buffet a comer — para mim, pouco importa, começou a minha «estação». E, enquanto ela não terminar, não haverá baço nem nada disso. Está claro? Isso é arte. A maior, a mais elevada. Nem sequer é arte da palavra, é uma arte superior. E, dentro dela, entra também a arte do artesanato e todo o resto — é uma única e mesma transmissão, que é preciso manifestar no instrutorado, e que depois se manifesta em toda a parte. E, se falarmos dos instrutores sob o ponto de vista da segunda Lei, da Consagração, os instrutores devem ser mestres supremos da doação, o grau máximo da doação, um exemplo nisso. Porque tudo o que se desenvolve e acumula ao longo da vida, através do trabalho, o que se recebe através das diferentes formas de existência, tanto na escola como na vida pessoal, tudo isso, quando fazem uma palestra, conduzem uma conversa, um encontro, é dado de volta, o conjunto inteiro da experiência, não uma parte, nem duas, nem três. Dá‑se tudo o que se tem. Claro que é inútil eu falar disto, se isso não estiver já semeado algures. E todas as nossas aulas de instrutorado, pequenos grupos e palestras são apenas um teste para, ao longo de muitos anos, revelar sacerdotes, mestres da doação. Do ponto de vista da Lei da Consagração, da espiritualização, se o instrutor chegar a esse estado, não importará como se preparou, que fontes leu, se leu dez livros ou apenas uma palestra alheia. Este é o eixo, o canal, é isto que dá sentido à nossa vida, e quando há um «para quê» fazer algo, então não somos só nós que fazemos, então ocorre a consagração, a iluminação, a espiritualização. E é sobre isso que vale a pena refletir. E, no que diz respeito aos dirigentes de linhas, etc., dizemos sempre: «Se não consegues, tenta, esforça‑te». Mas, para os instrutores, há um prazo, um período, depois do qual ou são instrutores, ou não são. E é melhor nem tocar, nem aproximar‑se disso, não estragar a vida nem a si próprios nem aos outros, do que fazê‑lo pela metade. Essa é a especificidade do instrutorado. Chame‑mos ou não a isto Lei da Consagração, ou qualquer outro nome. Porque, neste contexto, o instrutor torna‑se realmente sacerdote e mago, e não existe nem sábio, nem mago, nem sacerdote pela metade. Ou é inteiramente, ou não é. E, se fazem uma palestra, ou conduzem um encontro, desde o início com tal estado de alma, então o encontro poderá correr bem ou mal, pouco importa como decorra, se todos adormecem ou não. Nesse caso, realiza‑se o mistério da famosa Lei da Consagração, do ponto de vista do instrutorado, porque, quando o instrutor, ao fazer a palestra, transmite força, ele desperta nas pessoas uma força elementar que as irá sustentar durante determinado período. É o momento do Amor‑Intuição, o momento da bênção. Se os Grandes autênticos abençoam, transmitindo uma força real e interior pelo toque, o instrutor tem como instrumento a palavra sagrada. Falámos dela no último maratona. E é preciso entender que, neste sentido, o instrutor, do ponto de vista da segunda Lei, trabalha realmente como médico, como terapeuta, ele cura, ele trata. Podemos rir, mas a palestra, o encontro e o pequeno grupo são uma sessão, que, nos picos da maestria, é feita de forma consciente. E, em picos menos elevados, é feita graças a esta abordagem de instrutor: «Venho porque é a minha vocação». Tenham em conta que esta força que transmitem à pessoa, às pessoas, ao grupo, à alma coletiva, é uma força que deve permanecer um certo tempo. E, desse modo, se desencadeia o processo de catarse, de que também já falámos dez mil vezes. Então, quando as pessoas saem da vossa palestra, não só se sentem melhor, mais limpas, porque delas é retirada a sujidade com que vieram, mas tornam‑se melhores. Ou, pelo menos, ficam dadas, de forma consciente, as premissas para que se tornem melhores. Este é o segundo logos. O resultado do instrutorado, do ponto de vista da Lei da Consagração: a pessoa deve tornar‑se melhor depois de vocês. Deve tornar‑se melhor ou deve receber as condições que vocês criaram na palestra, para as utilizar na vida exterior. Quantas «sessões», palestras, encontros, contactos serão necessários para isso, depende da pessoa. E, neste contexto, do ponto de vista da palestra, devem chegar ao estado (eu senti isso em relação às palestras do HAL, e creio que muitos de vocês, desde os primeiros momentos, também o sentiram) de viver de palestra em palestra, e de os vossos alunos, as vossas pessoas, viverem de um encontro com vocês ao outro. Isto chama‑se segundo logos, ou princípio da consagração, ou maestria superior. Ainda sem se apegarem a vocês, sem dependerem de vocês, mas vêm até vocês como a uma fonte donde podem beber e depois seguir vivendo. E, quando voltam a sentir sede, regressam e vivem de vocês. E, se isto não for alcançado, o instrutorado não terá qualquer efeito.

E passamos ao terceiro princípio. Princípio da Diferenciação. Já o mencionámos em muitas variantes, antes. Mencionámo‑lo até na primeira parte da nossa aula. Está ligado à mente superior, a manas, à capacidade de captar arquétipos. Se se lembram, falámos nas Forças Vivas que, quando a luz começa a atuar, decompõe‑se numa gama de cores; e isto se chama princípio de diferenciação. Do ponto de vista do instrutor, como funciona o princípio de diferenciação? Em primeiro lugar, está ligado à tomada de consciência ou compreensão do que já foi dado. Já falámos disso, quando dissemos que a pessoa, se fala de algo, deve sustentá‑lo de modo consciente. Atenção, não confundam consciência com a descoberta global da verdade sobre esse tema. Ou seja, vocês ensinam outros, mas devem compreender que qualquer informação, qualquer formulação, qualquer conselho ou ensinamento que vos chega exige uma nova tomada de consciência ao vosso nível. Não uma consciência total, mas uma nova consciência ao vosso nível. Ou seja, exige que, pelo menos em algo, essa informação deixe de ser pura abstração… Transmitir de forma consciente. E, quando se transmite de forma consciente, passamos então ao processo de diferenciação na palestra, então é possível diferenciar. Vou explicar o que é. O que significa diferenciar? Significa que, em primeiro lugar, quando preparo e dou uma palestra, devo primeiro entender, para mim mesma, e depois transmitir aos alunos, a essência principal ou a ideia primordial do tema, ou, como também se chama, o arquétipo do tema. É aquele eixo básico, a tese a partir da qual começo a «dançar» e à volta da qual se constrói toda a palestra. Se, por exemplo, falo sobre a República de Platão, tenho uma tese principal — «como no Alto, assim embaixo». Harmonia no Alto — harmonia embaixo. O Estado deve ser reflexo da harmonia do mundo. Tese principal, única, que inclui tudo, ideia principal, arquétipo. Encontro‑a e, à sua volta, construo a minha exposição. Depois de conhecer a tese principal, a ideia fundamental do tema, que, normalmente, como tudo o que é genial e grande, é simples, devo aprender a formulá‑la para mim mesma em uma ou duas frases que contenham tudo. Depois passo à diferenciação. Da ideia geral — à diferenciação, ou seja, vejo através de que pontos‑chave essa tese, essa ideia principal, pode ser explicada. Isso chama‑se «diferenciação». Há a luz primordial, a ideia, e depois há a gama dos pontos‑chave, e cada ponto‑chave, nessa gama, contém ou pode conduzir‑nos à ideia primordial. Se eu falo da estrutura vertical da pirâmide do Estado de Platão, ou falo dos quatro tipos de pessoas, ou dos dois mundos — inteligível e sensível —, ou dos quatro ciclos, ou digo que existem tais e tais guerreiros no Estado, ou que há tais e tais formas de educação – toda esta gama de pontos‑chave deve, de algum modo, confirmar a ideia principal ou ilustrar um aspeto dessa ideia principal. Tudo isto fala, na realidade, de como se realiza o reflexo da ordem cósmica na terra, dentro do Estado. Isto se chama diferenciação. Em cada ponto‑chave de que falam, existe um subtexto dessa ideia, que, no espírito da pessoa que escuta, confirma a ideia principal ou permite desenvolvê‑la. E, do ponto de vista da diferenciação, quando dão os pontos‑chave, quando desenvolvem a ideia principal, há uma forma muito útil que podem usar na palestra. Foi usada por todos os filósofos antes de nós. Chama‑se diálogo. Não se trata apenas de vocês fazerem uma pergunta e alguém da plateia responder, porque, às vezes, isso é possível, e, às vezes, não. Trata‑se de construir o conceito da palestra, os pontos‑chave, os arquétipos, com base em perguntas e respostas que vocês mesmos irão formular. De uma certa suposição nasce tal pergunta, dessa pergunta nasce tal resposta, dessa resposta surge a pergunta seguinte. Este é o célebre método de Sócrates, de Platão, e ajuda muitíssimo as pessoas, por um lado, a captar a essência do que lhes estão a explicar, e, por outro, se vocês as querem ensinar a trabalhar com puras abstrações ou puras ideias (isto é Manas), devem desenvolver nelas o hábito de refletir, colocando questões, em forma de diálogo consigo mesmas. Ou seja, o nascimento de perguntas a partir de determinados problemas e a busca de respostas para elas. Devem levar a pessoa a entender que compreende bem, ou é sábio, ou capta a essência aquele que sabe formular uma pergunta no ponto exato. Formulá‑la para si mesmo, sequer não para o outro. Porque a pergunta certeira conduz a novas buscas. E, se preparam a palestra do ponto de vista da diferenciação, e, sobre esse tema, não vos surge nenhuma pergunta, só constatações, significa que a estão a preparar mal. E já precisam de se habituar, para que os vossos alunos se habituem, a que, quando preparam a palestra, depois de terem o plano dos pontos‑chave, o plano da informação, preparem também a lista das perguntas. E, segundo o mesmo sistema, que já deve tornar‑se natural para vocês, de que, ao formular a pergunta, encontram a resposta, e essa resposta automaticamente leva a uma nova pergunta. Automaticamente. Segundo o mesmo sistema, pela Lei da Diferenciação, ou seja, do trabalho com Manas, o instrutor deve ser, digamos simbolicamente, alguém que, no âmbito da sua aula, dê a si mesmo e aos alunos a possibilidade de retirar véus. Sempre dissemos que descobrir pontos‑chave é regressar constantemente ao mesmo e, nesse mesmo, encontrar sempre algo novo — novas revelações, novas compreensões. E esse novo, encontrado sobre a base do velho, chama‑se retirar mais um véu, e os véus são infinitos. E, se tivermos em conta o princípio da diferenciação, o instrutor deve trabalhar, como já falámos, segundo o sistema de revelações, de retirada de véus. Primeiro em si mesmo, e depois, ao longo da palestra ou conversa, esforça‑se por fazer com que as pessoas descubram algo novo, para si, naquilo que já ouviram dez mil vezes. E, se na vossa palestra não há esses momentos em que sintam que se trata de uma revelação para as pessoas, e em que elas, pelo menos uma vez, compreendem algo novo para si, então a vossa palestra é fracassada do ponto de vista do princípio da diferenciação. Isto devem ter em conta quando forem tirar conclusões.

Passemos ao princípio da organização, um dos mais compreensíveis — kama‑manas. Como dissemos da outra vez: é a lógica, por um lado, e, por outro, o trabalho no tempo e no espaço. E já dissemos dez mil vezes que o instrutor deve, primeiro, organizar a sua palestra. Em que sentido? Deve ter certas coisas arrumadas em «prateleiras». Dissemos que existe um plano de momentos formativos e um plano informativo, mas não esqueçamos que, em tudo isso, deve haver uma lógica, e que, depois de reverem toda a palestra, de a prepararem, independentemente do caderno que tenham, devem já ter na cabeça, saber de cor, o esquema lógico dos pontos formativos e o esquema lógico da informação — um modelo muito simples e curto, em tópicos, dos pontos principais da palestra. E eles devem estar logicamente ligados entre si. Ou seja, é preciso distribuir os tópicos de forma que estejam construídos segundo a Lei da Emanação ou a Lei dos Números — de um tópico decorre o segundo, do segundo decorre o terceiro, do terceiro — o quarto. É muito perigoso, dizia o HAL, criar o plano da palestra, o modelo organizativo da palestra, sem ligar os pontos entre si. Por exemplo, falamos sobre Buda: como de costume, ponto primeiro — vida; ponto segundo — época em que viveu; ponto terceiro — feitos, o que fez; ponto quarto — ensinamento; ponto quinto — morte. Um modelo muito simples. Mas falta a ligação lógica — para quê, por quê é que a sua ação decorre da sua vida, ou por que a vida decorre da época histórica em que viveu; se, a seguir, vem o ponto «formas de trabalho», por que é que as formas de trabalho decorrem da época histórica. Se, a seguir, vem o «ensinamento», de que modo o ensinamento decorre do seu trabalho. Se, depois, vem a morte, de que modo, do seu ensinamento, decorre o fim da vida. É precisamente isto que frequentemente omitimos. Lógica — mas não lógica racional, e sim lógica com sentido, formativa, essencial. E o mais importante — cuidem‑se de planos demasiado compridos, de teses em dez mil pontos. Neste modelo, que devem saber de cor, há pontos principais, e tudo o resto está contido dentro deles. Para que, durante a palestra, não caiam no erro muito difundido, de que também falámos: passa meia hora de palestra, «isto saltei, isto não contei, isto… já vou adiante».

AVH: Há também o outro caso. Intervalo — e já contei tudo.

É isso mesmo que digo: intervalo — e já acabou tudo. E, neste contexto, é preciso organizar o tema, a palestra, do seguinte modo. É uma questão de experiência, e o HAL também fala nisso. Normalmente, no nosso grande entendimento de que o mais importante são os momentos formativos na palestra (e isso é verdade), na palestra sobre Platão, sobre Sócrates, sobre filosofia da história, sobre matemática esotérica, acabam por ser ditos sempre os mesmos pontos, sem que as pessoas cheguem a saber quem é Sócrates, o que, na realidade, Platão dizia, e o que é a matemática esotérica. Porque tudo se constrói em torno dos momentos formativos, e, sobre o próprio tema, as pessoas, em regra, ouvem muito pouco. Esta é uma das extremas. A outra é quando há um amontoado de informação, se sabe tudo sobre o tema, mas por que e para quê é esse tema — só Deus sabe, e a ciência também não. Normalmente, a palestra é construída de forma a haver meio a meio: cinquenta por cento de informação interessante e cinquenta por cento de aspetos formativos. E que se entrelacem, mas disso falará outra Lei. Para que cada momento formativo, se possível, seja apoiado por um facto interessante sobre o tema, e, inversamente, que cada facto interessante seja sustentado por um momento formativo interessante. E protejam‑se do aborrecimento.

A próxima Lei é a Lei da Psíquicidade, que, do ponto de vista do instrutor, fala do processo de criação de formas astrais e mentais coletivas. Em que consiste, teoricamente, esse processo? Consiste em que, se há ideias e aspetos que a pessoa não deve esquecer, ou que devem estar constantemente presentes na sua vida e tornar‑se motor das suas tomadas de consciência e revelações, é preciso fazer de tal modo que determinadas palavras, termos, se tornem vocabulário, expressões frequentes na vida quotidiana, tema de anedotas, pequenas cenas, felicitações, brindes. Isto chama‑se forma astral‑mental coletiva. Mesmo até ao ponto de chegar a parecer, às vezes, que exagerámos, que há conceitos já usados em toda a parte, mastigados em toda a parte, e que até seria melhor não falar deles (claro, também é preciso ter cuidado para não chegar à deformação). O conceito de «sonho», lembram‑se, quantas vezes, ou «cidade dourada». Já todos os membros dizem, se os acordarmos em qualquer sede: «Sonho, Dom Quixote, cidade dourada, esperança, HAL, paciência, esperança forma a fé» — frases feitas, que são importantes, não porque sejam usadas, mas como prova, como sinal, como resultado de que algo já se tornou alma coletiva, ou seja, forma coletiva de pensamento e de perceção. É, claro, uma tarefa pesada, por um lado, mas, quando dão uma palestra ou conduzem uma aula, é preciso fazer de forma a voltar a alimentar estas formas astrais‑mentais, mas com cuidado, sem provocar rejeição, sem pregar sermões. E, na realidade, como dizia o HAL, a criação de formas astrais‑mentais coletivas, ou, como se chama, bancos de carga, que depois atuam por si, como pequenos devas, guardiões, está na base do trabalho com as emoções ao longo da palestra ou ao longo da aula. Em primeiro lugar, não se deve esquecer, diz o HAL, que cada aula deve ser emocionalmente carregada. O que significa «carregada emocionalmente»? Se há um impulso emocional que transmitem, isso significa que, através de tudo o que dizem, se desperta o chamado estado de devoção, ou se trabalha no raio da devoção. Ou seja, pelas emoções, devem suscitar a devoção à escola, ao sonho, ao Mestre, o estado de devoção ao Belo. E, por isso, se diz que, ao longo da palestra, da aula — isto já é maestria de nível elevado — é preciso, na medida do possível, planear conscientemente para que haja, ao longo da aula, momentos de chamados choques emocionais. Ou, digamos de forma mais suave, golpes emocionais, que têm uma dupla função. A primeira função — conduzir ou suscitar momentos de sonho, aspiração, pureza, catarse, por um lado, e suscitar emoções elevadas, necessidade do grande, do belo; e, por outro lado, suscitar momentos de catarse no sentido de vergonha, comoção, inquietação, quando se fala de coisas que devem provocar uma reavaliação interior na pessoa, suscitar certas viragens internas. E, claro, que é preciso fazê‑lo com muita delicadeza. Não se trata de gritar, rasgar a camisa, as costas, nem sei mais o quê. Existem duas formas de o fazer, de suscitar esses jatos de emoção que conduzem ou ao alto ou a momentos de viragem, de reavaliação. Podem ser momentos muito suaves, belos, que suscitam lágrimas, de enternecimento, ou de desespero, ou, nem tanto de desespero, mas de perceção da profundidade da nossa queda segundo determinado critério. Não lágrimas exteriores, mas quando a alma chora. Ou podem ser momentos fortes, altamente emocionais. Isso inclui toda a gama — voz, tudo o que se quiser — mas é uma questão de treino, que normalmente se faz com golpes súbitos, quando os ouvintes menos esperam. É algo subtil, mas muito importante, sobretudo quando se trata do Belo. Os antigos lembram‑se do Fernando Schwarz. Todos «hi‑hi‑hi, ha‑ha‑ha, muito bem, sim, sim», e, no fim — AVE!!! Mas isto é para instrutores das Forças Vivas, não para os instrutores de grande palco. Esses momentos emocionais são muito importantes, sobretudo quando se trata de coisas fortes. Quando praticamente não sentem, mas a voz eleva‑se, a força da palavra aumenta, o silêncio na sala… todos olham para vocês, vocês veem que se aproximam da culminação. Antes disso, é preciso acalmá‑los. Embalá‑los, «lá‑lá‑lá» de forma bela, depois sentem o momento — «pum!». E depois, outra vez, embalar, relaxar, fazer rir, e pronto. Mas esses momentos emocionais, belos e fortes, na palestra, devem ser previstos. É natural que, nos encontros, nas linhas, se aconselhe a variante suave. Porque, se vier a Marinka e disser: «Bisturi!» — é claro que ninguém fica. Ou o Lesha Sidorov: «Vou filmar‑vos para a história!» Naturalmente.

E, finalmente, do ponto de vista da Lei da Psíquicidade — a palestra, a aula — é teatro. Iniciático, como modelo ideal, e, no comum, como não ideal. Em que sentido? Já dissemos que o instrutor é um ator. E não importa o que conduz — encontro, linha, pequeno grupo ou palestra —, em qualquer caso, deve fazer com que as pessoas não escutem apenas, mas participem naquilo que ele narra. E porque digo «participar», e porque digo que é um teatro de um só ator? Quando contam um acontecimento, uma personagem, devem fazer com que os ouvintes sofram com a personagem, vivam com ela, se transportem como se estivessem a ver um filme, uma «novela». Não contar nada, sobretudo quando se trata de vida de pessoas, de acontecimentos vivos, como observador exterior. Isso é o pior. É preciso contar desenhando, embelezando. Se contam como Giordano Bruno ardeu na fogueira, vocês próprios devem sentir medo, de forma que o público sinta as chamas, que sinta pena daquele homem. Que perceba como se sentem os discípulos ao ver desaparecer alguém, que perceba o que significa ir para outro mundo, mas ficar cá em baixo. Que isso não seja relato, mas cena. Isto é muito importante. Do ponto de vista das emoções, dá a possibilidade de, com eles, transportar‑se para aquela situação de que se fala, e vivê‑la em conjunto convosco. Tenham em conta um pequeno acréscimo: os vossos ouvintes, por mais inteligentes que sejam, e por mais vezes que tenham ouvido aquilo, são como crianças que chegaram e esperam que o pano se levante. E vocês não lhes contam apenas uma história. Eles esperam que o pano se ergua. E, para não saírem apenas relatos científicos, com tais e tais pontos, para não sair uma coisa aborrecida, é preciso animar a narrativa. Para que as personagens e os acontecimentos ganhem vida diante de vocês e deles. Para que as pessoas, como se vissem, sem ver nada. E, para isso, vocês têm de ver primeiro.

O princípio seguinte é a Lei da Atividade, da Ação. Como dissemos — é a célebre dinâmica. Vencer a inércia. E, naturalmente, isso define os papéis e funções do instrutor na aula. Se, pela Lei anterior, ele é ator, por esta Lei ele é combatente, guerreiro. Vou explicar. Tenham em conta que, quando sobem ao palco — oh, quantas vezes o experimentei convosco, até hoje —, quando sobem com o vosso pequeno fogo, com o vosso pequeno impulso, motivados, veem à vossa frente rostos que, num certo sentido subtil, passam a ser para vocês inimigos queridos, porque, quando trazem algo novo, eles ainda estão presos ao velho, à imobilidade, à cegueira, às suas manias e pequenas tolices. O primeiro estado que surge é: armar‑se de capacete, escudo, como Dom Quixote diante dos moinhos de vento — essa é a Lei da Ação. Dom Quixote ataca moinhos, porque, para os de fora, são moinhos, mas, para ele, são inimigos amados, é preciso quebrar cada um, sacudir cada um. É preciso fazer com que o fogo que trazem, os conselhos, os ensinamentos, seja mais forte do que a inércia comum dos presentes. Como isso é difícil. Isto define a dinâmica da aula. Define a dinâmica da aula em que, se a vossa aula é dinâmica, deve ser sentida por vocês, de certo modo, como uma luta. Atenção, não luta para explicar melhor alguma coisa, ou para ainda lembrar algo e acrescentar mais um pouco de informação, mas como luta entre luz e trevas. Relativamente. Porque eles ainda não veem o novo fogo que devem transmitir‑lhes. E, por isso, eu falo não de inimigos, mas de inimigos queridos, porque, quando sobem ao palco, já dissemos que o instrutor deve amar os seus alunos. Mas, ao subir, em função da atmosfera, deve, de forma saudável, em bom sentido, ficar um pouco zangado. Um pouco rebelde. Nem tanto zangado, mas revoltado. Revoltado contra a mesma inércia que vê em si mesmo, contra a qual não consegue vencer de todo, porque puxa de dentro de si as palavras como pastilha elástica, com esforço, para vencer a inércia dos outros. E saber, neste contexto, que a aula ou a palestra é apenas a primeira etapa, o primeiro passo de um grande processo de ação que iniciam na pessoa. Vencer a inércia significa levá‑la, mesmo que esteja sentada tranquilamente a olhar para vocês, a um estado de fervura e ebulição interior. Levá‑la a um estado paralelo, em que, com um ouvido, escuta‑vos, e, com o outro, automaticamente, em paralelo, se observa, aplica a si, vive, se inquieta ou se alegra. E fazer com que essa tempestade interior que levantam, quer em sentido belo, quer noutro, seja o primeiro passo numa cadeia de ações que ela fará depois, ao voltar para casa. Ou seja, da dinâmica da palestra depende como ela irá agir no mundo exterior após a palestra. Não só como a «tocaram», mas como a puseram em movimento. Prana. Mas prana não bioenergética; a energia que se acumula na pessoa e lhe permite, ao sair de vocês, dar passos com base no que ouviu. Por isso digo que é a luta de Dom Quixote com os moinhos, que nem sempre termina bem. E os moinhos continuam lá. Mas há momentos, no instrutorado — momentos em que, depois, a pessoa sente paz. Lembram‑se: «No momento em que ousas atacar o monstro, ele transforma‑se imediatamente em moinho de vento» — ou seja, momentos em que neutralizam as pessoas, em que, graças aos passos que dão depois do vosso impulso, da dinâmica da vossa palestra, da vossa luta com elas, bela ou grande, elas se tornam não só melhores, mas menos nocivas, menos destrutivas. É uma luta que, para os mestres de alto nível, como a Delia, o HAL, os grandes Mestres, que chegam e logo sabem o que paira na atmosfera, a que é preciso atacar, o que é preciso cortar, o que é preciso desenvolver, é feita de forma consciente. Essa luta, que para eles é consciente, muito misteriosa e bastante complexa, para nós, ao nosso nível, processa‑se mais ou menos inconscientemente, com a ajuda de tudo o que nos guia e inspira, mas começa desde que dela, ao menos um pouco, se fale, ou desde que, ao menos um pouco, nos tenhamos preparado para ela.

E a última Lei — a Lei da Periodicidade, dos Ciclos. Muito brevemente. Já falámos dela em diferentes maratonas para instrutores: a nossa palestra deve ser construída por ciclos. Ou seja, por períodos, por momentos. Não podem martelar o mesmo ao longo de toda a palestra e manter o mesmo nível de compreensão, inspiração, ardor, etc. Isso é, praticamente, impossível para vocês. Portanto, é preciso construir a palestra, tanto em conteúdo como na preparação e nos momentos emocionais, em forma de sinusoide, com momentos culminantes. É preciso escolher, ao longo das duas horas de palestra, certos belos momentos culminantes, que, para vocês, serão como que pérolas, e guardar mais um trunfo na manga. E a que irão tocar, e a que irão chegar cada vez que a atenção relaxar. Ou seja, primeiro, levam a atenção até um primeiro momento culminante. Veem que as pessoas se prenderam….… dão‑lhes a possibilidade de não escutar. Depois, após momentos teóricos importantes, mas não tão importantes, quando sentem que a atenção se embota, voltam a aproximar‑se de novos momentos. E, depois, outra vez, a possibilidade de não escutar. E assim até ao fim da palestra. Mas o mais importante, nesses ciclos de momentos culminantes, em que, sozinho, se concentra a atenção de todo o auditório, é que a palestra comece e termine com a ideia principal, bela. E é preciso cuidar para que o momento culminante mais forte fique para o fim. Para que não o coloquem no meio, porque, depois, ao falar do que é menos importante, irão desviar a atenção do essencial. Para que digam tudo até ao fim, não no final, quando todos já estão cansados e não entendem mais nada, e, depois, venham até vocês e digam: «Por que deixou o mais interessante para o fim?» Para que mandem as pessoas para casa com um rasto vivo, com algo a partir do qual continuará o trabalho delas.

Outra coisa importante, embora já tenhamos falado disso, é que, além desses golpes emocionais culminantes, é preciso sempre dar possibilidade de descarga. E uma palestra sem humor, sem anedotas, sem momentos de riso — não é palestra.