A Nova Acrópole apresenta-se em tons muito claros, positivos e atraentes. E como poderia ser diferente? Esta é a sua fachada, a imagem de uma organização “branca e fofinha” social e amistosa. Fala-se muito de respeito (10 vezes na página "O que é a Nova Acrópole?"), de filosofia (15 vezes), de socialidade (17 vezes), de valores, ideais, cultura, voluntariado. Mas o que é que a Nova Acrópole omite sobre si mesma?
✅ De facto, na Nova Acrópole fazem voluntariado, fazem boas ações.
⚠️ Mas, o voluntariado não é um fim em si mesmo.
- Usam o voluntariado como instrumento para atrair novos membros e fortalecer a sua comunidade.
- Não é apenas uma atividade altruísta em benefício de outras pessoas. Na base está uma motivação ideológica, uma aspiração ao desenvolvimento pessoal, que faz parte da sua filosofia, ou mais precisamente da sua fé. Através do voluntariado os acropolistas se elevam acima das outras pessoas e aproximam-se dos Novos Homens, que virão quando chegar o tempo da sexta sub-raça da quinta raça, de acordo com as crenças acropolistas que escondem dos não iniciados.
Existe a ideia de que «se uma organização faz coisas boas, não pode ser má». Mas isso não é lógico, qualquer um pode dedicar-se ao voluntariado, e o voluntariado não pode servir de justificação, enquanto os acropolistas utilizam muito frequentemente o voluntariado como desculpa.
✅ De facto, a Nova Acrópole realiza eventos e atividades culturais, o que é ótimo.
⚠️ Mas, tal como o voluntariado, a cultura aqui muitas vezes não é um fim em si mesma. Funciona como um instrumento de “entrada suave” e como embalagem para mensagens ideológicas: formar lealdade, criar uma imagem positiva, reforçar o papel da “escola” e do “Mestre”, e atrair novas pessoas através de eventos agradáveis e esteticamente aprazíveis.
Exemplo. No site oficial da Nova Acrópole há um artigo sobre uma peça organizada por acropolistas, no qual se pode ler:
Ficámos a conhecer duas mulheres extraordinárias: Helen Keller, surda e cega, e Anne Sullivan, a sua talentosa professora. Depois de muitas tentativas, a professora conseguiu devolver à sua aluna a possibilidade de comunicar com o mundo exterior.
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Esta história tornou-se uma boa ilustração de um dos princípios da escola filosófica da Nova Acrópole: a revelação dos potenciais internos.
⚠️ À primeira vista, é apenas uma história inspiradora sobre apoio e ensino. Mas, na forma como a apresentam, é usada como alegoria de um motivo ideológico central: a pessoa sem o “Mestre” é como se fosse cega e surda; e “a revelação dos potenciais” só é possível através da direção correta e da submissão a essa direção. (ver estrutura autoritária), (ver desprezo pelos não acropolistas e pelos acropolistas inativos)
O problema não está na própria cultura nem no facto de que o ensino possa ajudar. O problema surge quando o enredo cultural é reinterpretado de modo a reforçar a narrativa autoritária:
- O “Mestre” deixa de ser um especialista/pedagogo e torna-se uma figura à qual é “correto” obedecer.
- Os “potenciais internos” são apresentados como algo que só se revela dentro dos limites da escola/ideologia.
- O mundo exterior surge implicitamente como “incompleto”, “obscuro” ou “não despertado” sem este caminho.
✅ De facto, a Nova Acrópole apresenta um resumo de alguns filósofos e das suas ideias; levanta questões filosóficas.
⚠️ Mas todas as escolas filosóficas contemporâneas são ignoradas. Os filósofos antigos são interpretados de uma forma específica, não académica, ideologicamente enviesada, que confirma os ensinamentos de Blavatsky e da Sociedade Teosófica. A Nova Acrópole dá respostas às questões filosóficas, mas são respostas pré-fabricadas, que é preciso aceitar por fé. Na Nova Acrópole não se trata de construir de forma independente uma visão do mundo, de pensar autonomamente, mas apenas de um ensino claramente delimitado pelos Mestres em “verdades” previamente definidas, que foram propagadas por Blavatsky e por HAL.
No site oficial da Nova Acrópole pode ler-se:
Incentivar o amor à sabedoria através do estudo comparado de filosofias, religiões, ciências e artes, a fim de alcançar o conhecimento do ser humano, da natureza e do Universo.
Para os acropolistas, o estudo comparado consiste em seguir uma metodologia pré-definida, pontos de vista pré-definidos, e então isso não é de forma alguma ecletismo, mas sincretismo. Há apenas uma única maneira de olhar para tudo – a maneira “correta” acropolista; todos os outros se enganam e possuem apenas uma parte da verdade. (ver intolerância)
Os membros da Nova Acrópole escondem a sua religiosidade e não querem reconhecê-la.
⚠️ Mas:
- Quase em cada filial da Nova Acrópole existe um Templo com artefactos importantes para os acropolistas e retratos - é um espaço especial, separado, oculto.
- A Nova Acrópole tem as suas festas especiais com conteúdo sagrado.
- A atitude dos acropolistas para com o seu “Mestre” (HAL e, após a sua morte, Delia) não é de respeito académico, mas de adoração religiosa.
- Teologia: existência de uma Grande Hierarquia Branca de “Mestres” sobre-humanos e de uma Hierarquia Negra oposta de “forças escuras”.
- Jorge Ángel Livraga é uma “entidade semidivina, uma daquelas figuras que, graças ao seu desenvolvimento espiritual, alcançaram as verdades eternas” Fonte: testemunho
- Cosmologia: doutrina teosófica das raças – a humanidade atual prepara-se para a chegada da “sexta sub-raça”, e a Acrópole é a condutora desse processo.
- Reencarnação: os membros da organização são uma “família eleita” de almas, que se reencarnam juntas ao longo de milénios.
- Mistérios e iniciação: a organização chama-se diretamente a si própria “Escola de Mistérios” com revelação gradual do ensinamento secreto.
Ver mais sobre a religiosidade dos acropolistas.
Destrutividade psíquica:
- dependência da Nova Acrópole após manipulações psicológicas, como “bombardeamento de amor”, conversas pessoais, lembretes, “amizade” artificial
Destrutividade moral:
- desprezo pelos não acropolistas e pelos acropolistas inativos
- incentivo aos membros ativos da Nova Acrópole para que manipulem os alunos
5.1. A Nova Acrópole isola a pessoa da sociedade e das pessoas próximas.
Ele entendeu que frequentar a Nova Acrópole era mais importante do que passar tempo com amigos e família, e ensinaram-lhe que, para um “ser desenvolvido”, é correto fazer o que ele não quer fazer, “pelo bem comum”. Fonte: Testemunho de ex-membro da Nova Acrópole
Na Nova Acrópole começaram a falar mal dos meus amigos, diziam que eram todos estranhos, que eu estava sempre a deixar de ir a algum lugar... Consideram-me quase uma traidora por ter amigos no estrangeiro. Fonte: Testemunho de ex-membro da Nova Acrópole
Num dos textos de Livraga, pedem: «Comecem a romper as correntes desnecessárias com amigos que não partilham o vosso ideal, ainda que o conheçam, e com qualquer pessoa, seja ela quem for, que se oponha à vossa visão espiritual atual, porque manter essas antigas relações vos prejudicará e também às pessoas que ainda não despertaram como filósofos; que teriam vergonha de vós ou zombariam daquilo que considerais o mais sagrado: o vosso ideal acropolista» Fonte: Materiais internos da Nova Acrópole. Recomendações para membros. Jorge Ángel Livraga
«Devemos assegurar-nos de que os laços com dissidentes não sejam mantidos por motivos sentimentais, pois se, estando dentro, não cumpriram as suas obrigações, é fácil concluir que não compreendem nem amam a “Nova Acrópole”. Mantê-los sob uma luz positiva e amigável é um convite para que outros sigam os seus passos» Fonte: Jorge Ángel Livraga «Manual do dirigente»
5.2. Autoritarismo — proibição de crítica, obediência sem dúvida
A Nova Acrópole tem uma estrutura hierárquica rígida, onde a obediência é a norma e a crítica aos dirigentes é uma violação estatutária:
Abstenham-se de qualquer crítica aos dirigentes, professores e colegas de curso. Isto aplica-se aos dirigentes em todos os casos; aos colegas de curso — apenas em questões pessoais.
— Regulamento para membros. Artigo n.º 10. Jorge Ángel Livraga
(Mais detalhes: estrutura autoritária da Nova Acrópole)
5.3. Estigmatização das dúvidas
Atitude negativa em relação a quem duvida. Envergonhar a pessoa pelas suas dúvidas.
Limitam a vossa racionalidade e fazem-vos perceber que pôr em causa qualquer coisa é errado.
— Testemunho de ex-membro da Nova Acrópole (fonte)
5.4. Recusa da análise racional
Recusa da análise racional e do pensamento crítico. Recusa da lógica e das provas.
O diálogo com o kama-manas não é próprio de damas e cavalheiros.
— Resolução n.º 59. É muito importante manter a coesão. Jorge Ángel Livraga (fonte)
(Mais detalhes: repressão do pensamento racional na Nova Acrópole)










