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A Seita Nova Acrópole

mx2011,Idioma original: EspanholLer no idioma original
Autor: José Jesús Langarica HerreraAutor do artigo «A Seita Nova Acrópole» em cronicas-jonicas.blogspot.com.
Tradução automáticaartigos escritos fora da Nova Acrópole

Fonte: cronicas-jonicas.blogspot.com

A Seita Nova Acrópole

Fazendo‑se passar por associações culturais, grupos como a Nova Acrópole procuram alienar seus membros em atividades que bem poderiam ser catalogadas como sectárias
Cafezinhos e Tapalpa
A No início parecia uma boa ideia. Ir à serra de Tapalpa e praticar o desporto extremo. Por que não? Além disso, durante a noite, havia um tempo para a reflexão sobre as atividades realizadas durante o dia. Vejam só, isso é cérebro e músculo! E para completar, o grupo oferecia aos sábados à tarde conversas de café num estabelecimento bem conhecido na avenida Vallarta, justamente a tempo de assistir, bater papo um pouco, e depois ir ao cinema ou para onde quer que fosse necessário.
“Gostei do fato de ir conversar sobre algo que não fosse engolir pessoas, a verdade” confessa Lulú (cujo nome alterei aqui) e que integrou‑se às atividades da Nova Acrópole por um tempo.
De modo que, até agora, o que haveria de errado?

Esoterismo autoritário
Talvez se pudessem objetar os temas ingênuos de conversa que com frequência se manejavam nos debates, como Atlântida, astrologia, alquimia, junto ao “poder de um sorriso”. Mas bem, afinal nesta vida há que ser tolerantes; ninguém tem o monopólio da verdade, não é certo?
Ou talvez (mais importante) a maneira em que os membros adquiriram um caráter áspero assim que por uma ou outra razão alguém não podia assistir às suas reuniões; a maneira como queriam enganá‑lo para tomar um workshop de “autoconhecimento” que duraria três meses, mas que aos seis não tinha nem pés nem cabeça, e onde se pretende fazer-nos engolir as fumadas de Madame Blavatsky, fundadora de uma quase religião sincrética chamada teosofia; ou que em pouco tempo alguém estava obrigado a repartir panfletos (tal e como se parodia no filme de Alex de la Iglesia, O Dia da Besta ) e não fazer mais nada pelo resto do dia. Foi precisamente mediante o panfleteio que Lulú, em particular, começou a assistir às conversas de café da Nova Acrópole.
Poderia isto?
Tornar‑se isto?

A seita
Segundo um relatório fornecido por a Assembleia Nacional Francesa , a Nova Acrópole é uma seita com tendências claras de extrema direita, e gostos paramilitares. Independentemente dos numerosos relatórios desse tipo, é possível passar anos orbitando no grupo sem ver nada disso, porque tais segredos são revelados unicamente a quem aceita com maior facilidade a manipulação dos líderes e mostra menos reparos e críticas às numerosas tarefas que estes lhe imporão.
Segundo o “ Manual do Dirigente” da Nova Acrópole : “A propaganda não deve assustar nem produzir um impacto excessivo, com risco de ser considerada suspeita e rejeitada. Um convite aparentemente inocente a seguir cursos e conferências é mais proveitoso que a exposição violenta de símbolos misteriosos ou sentenças enigmáticas… a propaganda deve oferecer uma imagem acolhedora de conveniência pessoal, sem deixar ver que se chama a mudar a sua vida e a sobrecarregá‑la com enormes sacrifícios e esforços. Uma vez dentro entendem‑nos melhor e consideram esses sacrifícios como honras, mas antes, espantam as pessoas” Assim, o recrutamento tem lugar com excursões, conversas de café, conferências e workshops, onde, fingindo ser uma associação cultural, fazem‑se de novos corpos para os seus fins.

O doutrinamento
O doutrinamento é gradual e lentamente apodera‑se da vida do recém‑ingressado. Primeiro são as conversas de café, depois será convidado ao curso de “autodescoberta” onde em seguida se lhe dará uma tarefa para o grupo, deixando claro que com isso ganhará ainda mais a admiração e aceitação de todos:
“Começaram a fazer atividade, após atividade, após atividade, onde no final realmente não se fazia nada, mas havia que estar ali (...)” lembra Lulú “Ao sair do trabalho a coisa era ir ali, sair às dez, onze, onze e meia se bem nos corria, e depois o sábado o dia todo, o domingo o dia todo…”
As tarefas consistiam em organizar peças de teatro, realizar um workshop de cinema (onde o conteúdo dos filmes se adapta à tendência acropolista), etc. Lentamente os amigos e familiares do indivíduo presenciarão como ele se afasta de tudo e de todos, imerso nesse acropolismo totalitário.
Lulú confessa que começou a desiludir‑se pela falta de qualidade das aulas. Essa falta de qualidade parece ser característica da filial de Guadalajara, embora “não importasse muito, porque eu não ia aprender a filosofia do mundo ali; não estava à espera que um curso de uma instituição numa casa, onde tem três alunos, me desse aulas de filosofia de muita qualidade…”

Jorge Angel Livraga Rizzi ou "O imperador", como se fazia chamar

É perigosa?
Geralmente os críticos dessa associação afirmam que é demasiado insignificante para apresentar um perigo, mas acaso só por isso. Sabendo que em 1985 o jornalista Pepe Rodríguez advertiu num artigo sobre a Nova Acrópole acerca do armamento que, ao menos então na Espanha, se resguardava nos quartéis dessa seita, decidi contactá‑lo sobre esse particular.
“O governo espanhol não fez nada contra a N.A., nem contra nenhuma outra seita; o que se fez em Espanha é todo trabalho de particulares” respondeu‑me por correio eletrónico. “A investigação e o início do processo judicial que levou à condenação de Livraga [fundador da Nova Acrópole] por posse ilícita de armas foi só obra minha, da polícia só recebi problemas e nenhuma ajuda. Enfim...”
Segundo os acontecimentos, o jornalista assegura que foi ameaçado pela Nova Acrópole, razão pela qual teve de recorrer às instâncias legais e iniciou‑se um julgamento contra Ángel Livraga.
“O julgamento contra Livraga e seu segurança realizou‑se a 13 de junho de 1988 na Seção Terceira da Audiência Provincial de Madrid” continua Rodríguez no seu correio. “O processo que iniciei contra eles é o sumário número 10/87 CP do Juízo de Instrução 23 de Madrid.
A sentença condenatória é a 203 da Seção Terceira da Audiência Provincial de Madrid, de data 15‑6‑1988 (…) textual: A Sala acorda por maioria, condenar o processado Jorge Angel Livraga Rizzi como autor de um delito de posse ilícita de armas, sem a concorrência de circunstâncias modificativas da responsabilidade criminal, à pena de seis meses e um dia de prisão menor, com os seus acessórios de suspensão de cargos públicos e direito a sufrágio durante o tempo de condena, e ao pagamento das custas processuais. Para o cumprimento da pena abona‑se‑lhe todo o tempo de prisão provisória sofrida por esta causa. E a sala aprova o auto de insolvência em seu dia consultado pelo Instrutor

Pelo menos entre os escalões menores em Guadalajara, o gosto de Livraga por vestir uniformes militares é visto como uma excentricidade inofensiva, e não aceitam que estejam imbuídos numa seita. Uma das lideranças locais assegurava que nada disso era certo. Porém, é muito difícil desmentir as acusações quando o grupo não se destaca pela sua transparência.
Todo o assunto não deixa de ser lamentável. Muitos jovens estão ávidos por meios onde possam expressar os seus gostos, interesses e inquietações, sem acabar sendo explorados, ou que a sua vida seja monopolizada por uma organização do tipo da Nova Acrópole

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