Elena Sikirich com membros das Forças Vivas. Sobre os "testes" antes de 2000
25 de Setembro de 1999. Transcrição da gravação de áudio
[...] Na Nova Acrópole há uma espécie de cortesia acropólica, que faz parte do decreto oficial e também, se olhar para escolas do Ocidente, é parte do que está no sangue, em particular o comportamento dos discípulos em certas situações. Já que a Delia virá em breve, e seria bom saber... As regras da cortesia acropólica são as seguintes. Se no recinto está MN (em-en, “líder nacional”) ou um sekirich de alto escalão, as pessoas não se sentam enquanto essa pessoa estiver de pé. E só se assentam depois que o MN ou o sekirich se sentarem. Só acendem um cigarro depois que ele acender. Se o MN está presente, as pessoas tomam-no como referência no comportamento. Ele está de pé – todos ficam de pé; ele se senta – todos se sentam. Se todos estão à mesma mesa, ninguém começa a comer antes dele. Se precisa sair antes dele, deve pedir permissão. Peço encarecidamente, sobretudo quando vier a Delia, que tentem aplicar isto um pouco, e em outras situações. Prestar homenagem, não à pessoa em si, mas àquilo que essa pessoa representa. Reparem nisso nos estágios, nas reuniões, no café, na sala de fumantes, etc. Faremos um bloco de aulas, habilidade em cortesia, há muitos momentos belos. Existe um manual de cortesia que escreveu HAL. Para aprender esse novo estado de alma mais a nobreza, que se manifesta mesmo através de pequenos detalhes.
Agora passemos ao nosso tema. A palestra de hoje é continuação daquele impulso de que se falou na palestra geral para os membros. Gostaria de falar de coração para coração hoje, não nos encontramos há muito tempo. Mas estamos limitados, infelizmente, pelo tempo e por assuntos de que falarei depois. Portanto. Sei que não precisamos de muita inspiração. Espero sinceramente que parte da inspiração para as Forças Vivas (FV) tenha caído na palestra geral. Apesar de eu ter dirigido a palavra aos membros, esforcei-me muito para que houvesse momentos que as FV pudessem entender à sua maneira, reavaliar de novo. E que pudessem preparar o terreno para o encontro de hoje. Se essa inspiração não ocorreu, espero que venha à medida que formos tentando concretizar tudo o que dizemos na palestra. Vamos esforçar-nos muito para que agora e daqui em diante, especialmente até o ano 2000, toda a escola viva sob o mesmo impulso de união em todos os sentidos de que falei na palestra geral.
Temos de perfurar muitos pontos concretos para que essa união se sinta não só em palavras, mas também em ações, e, em certo sentido, talvez tenhamos a tarefa mais difícil, ou talvez a mais fácil – dar o exemplo da união. Para que a união venha de cima, união nas ações, nos impulsos, nos sonhos, na compreensão mútua, união numa mesma onda, na pureza da alma, nas qualidades que tentamos despertar, e para que os membros tenham em quem olhar e em quem se espelhar.
O impulso de união não começou na palestra geral para os membros; já tinha começado no estágio das Forças Vivas no verão e foi sentido muito fortemente no 1.º estágio de líderes do Conselho Nacional.
Sei que algumas das coisas que vou dizer hoje podem provocar reações contraditórias, talvez um pouco de inveja, “por que não nos convidaram”, mas correndo esse risco, gostaria muito de dizer o que partilhámos depois: trabalhámos no impulso de união, tentámos definir as tarefas da escola até 2000, voltámos às origens, mais uma vez tentámos perceber o que nos inspira, para onde devemos ir, o que se espera de nós no próximo milénio, tentámos sentir outra vez aquilo que depois deveríamos transmitir a vocês. E por via desses momentos nasciam novas ideias, muitas ainda cruas, mas muito concretas, muito úteis, que davam impulso. Quando, no final do estágio de dirigentes, brindámos pelo que haveria de vir, de certa forma sentimos todos vocês por perto e lamentámos que não tivessem vindo, porque queríamos transmitir tudo de uma vez. Soaram palavras que davam a impressão de que, por um instante, todo o estado de alma tocou a ilha mágica com que sonhamos. E, de facto, havia um estado especial, como se não houvesse limites de espaço e tempo, quando em pouco tempo ficou claro que conseguiríamos e tudo isso seria feito. Mas quando, depois do estágio de dirigentes, veio a segunda-feira, foi forte. Como se alguém nos tivesse chutado para fora da ilha, porque começaram a surgir problemas que não tínhamos percebido, sobre os quais não tínhamos falado no estágio, mas que se colocavam claramente diante de nós. Durante toda a segunda-feira as pessoas aproximavam-se de mim: “posso falar com você por 5 minutos?” – eu já sabia que haveria a constatação de mais um facto-problema, que foi tão bem esquecido durante o estágio. Em suma, mergulhámos em todos os problemas. Por um lado foi muito difícil, por outro muito fácil, porque apesar disso não perdemos a inspiração que havia então.
Prometo que esses momentos mágicos iremos renová-los antes do ano 2000. Gostaria de transmitir brevemente alguns pontos de que falei no estágio de dirigentes, para que saibamos realmente para onde orientar e o que fazer a seguir, especialmente no contexto do impulso de união.
Em primeiro lugar, falámos das tarefas da escola, especialmente da escola russa. E não sei até que ponto isso vos é claro; falámos especificamente de 2000. Do famoso exame. Já falei com mais concretude na palestra geral. E falava não tanto sobre o exame, mas sobre o que temos de fazer para o passar. E começou a desenhar-se a imagem de que depois muito se falou. Chamámos a essa imagem a imagem do berçário.
Porque começaram com o ápice oculto, lembraram-se de como HAL recebeu a tarefa — fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para que a escola desse a sua contribuição ao impulso da 6.ª sub-raça da 5.ª raça. Fazer o melhor possível. E ele recebeu essa missão de forma muito concreta. Sabia quais os critérios desse impulso. Falámos disso nas palestras. Amor, fraternidade, síntese da ciência e da arte, ligação com o céu, novo misticismo. Lembrámo-nos e compadecemos do pobre HAL. Um pequeno detalhe — deram-lhe a tarefa e não deram instruções sobre como a realizar. Por que formas, que modelos. E dissemos que o seu teste seria também encontrar formas adequadas para as ideias que teria de concretizar. Dar a sua contribuição para o nascimento da 6.ª sub-raça da 5.ª raça. E essa contribuição devia ser não só significativa, mas, se possível, as ideias centrais principais deviam ser tais, tais, tais. Devia haver um certo estado de alma. Devia conduzir a uma nova ciência, nova arte, novo misticismo, nova abordagem a Deus, às pessoas, ao estado de cavaleiro e dama. Eram orientações. E como o farás, através de que formas? Sim, aconselha-se a escola filosófica. Esse é o teu teste.
Ao recordar isto, lembrámo-nos que praticamente todas as escolas acropólicas, nesse trabalho difícil, continuaram o trabalho de HAL. Porque cada uma delas, inclusive nós, recebeu a tarefa de desenvolver o modelo de algo no âmbito do impulso comum. Cada uma dá à luz, abre caminho, encontra formas para uma parte do mosaico comum, conhecido apenas por HAL, Delia e por Deus. Nós não o conseguimos entender.
[...] Na Rússia a ideia do berçário é muito visível. Que cada escola é uma espécie de berçário. E alguns modelos, belos sonhos, primeiro são experimentados connosco e através de nós. Depois só a Deus cabe saber se serão úteis para todos. Tudo depende de quanto esse modelo foi provado em nós. Que tipo de berçário acham que temos aqui agora? O que se experimenta em nós? Até onde temos de chegar? O que furar? O que dar à luz? O que inventar? Que ideia? O que nasceu graças aos nossos sonhos, esforços, inspirações? O que saiu para além dos planos que tínhamos no início da existência da escola? Isto é o Serapeum. Outras escolas também têm as suas ideias, que nasceram de sonhos e dos seus próprios planos. [...] Como raciocinam as pessoas que nos olham desde cima? Começando por Delia, acabando em seres invisíveis, HAL, etc.?
Aproxima-se o ano 2000. O membro das Forças Vivas conhece os critérios elementares? Tornaram-se parte da sua vida? Então olham para o membro das FV, futuro cavaleiro ou dama, ou o cavaleiro ou dama de hoje, como se comportam quando adoecem? Ou em família? Ou na direção? Ou quando preenchem as tabelas de graus? Ou quando lutam contra as suas fraquezas? Aqui o critério é o inverso. Se as FV se comportam assim — pessoa quase a entrar no caminho do discípulo, com tais critérios, ideais e aspirações — então o que se pode esperar de outros que não os têm? E, nesse sentido, as Forças Vivas são em muito um modelo. Com base no qual se constroem os planos, modelos que depois serão dados às pessoas comuns, simples no bom sentido da palavra. Isso é o importante.
E se explicar de novo o que disse aos membros na palestra. E agora explico mais abertamente às Forças Vivas. Em que consiste o exame de 2000? No ano 2000 será avaliada toda a Acrópole, cada escola acropólica em separado, como parte dessa cadeia, cada FV em separado e cada aluno em separado. Para fazer o balanço de tudo o que a escola fez como um todo, de tudo o que cada escola dentro da Acrópole fez, de tudo o que cada grupo dentro da escola fez, direção, manipula, Forças Vivas, etc. Está, foi manifestado, foi vencido? Estão manifestados estados, atos, formas, modelos que possam servir de exemplo para todos? Neste momento? Eis o problema. Como exemplo, com base no qual será criado depois para toda a humanidade. Esse é o problema do berçário. No berçário, sempre, ecologia, ajudem-me por favor, escolhe-se um pequeno lugar isolado, etc. E depois testa-se num solo, noutro, num terceiro, o que dará o mesmo grão. Eis a tarefa.
E por isso — o impulso de união. Estou já a chegar a pontos mais concretos. Se eles vão olhar para amostras, modelos, e essa é nossa tarefa e nosso dever, então é necessário que, em direções elementares e em coisas elementares... Então precisamos unir-nos, fazer esforços, determinar coisas nas quais podemos dar um exemplo, e fazer isso antes do ano 2000. Manifestar elementarmente. Em suma, para não vos mastigar.
Se cada um puxar para o seu lado agora será muito mau. Porque o trabalho não será feito. Para nos unir, isso não se consegue por comando. É preciso que todos estejam sob o mesmo impulso. Se não houver, que o gerem. Ou que encontrem uma pessoa que claramente esteja sob o impulso. Agarrem-se à minha saia, às minhas calças, ao meu casaco, o que for — eu estou sob o impulso, com certeza. Se o impulso deles secar, não aquecer, não entenderem, que olhem nos olhos dessa pessoa. Se isso não ajudar, digam-lhe “dá-me impulso, por favor, senão a Lena vai matar-me!” Mas não se deve dormir mais. Há que inspirar-se, mas não do modo abstrato a que nos habituámos. Inspirar-se de modo muito concreto. Sentir que todos vivemos pelas coisas que nos inspiram e ajudar-nos mutuamente a sentir esse impulso.
Disse na palestra aos membros que em momentos como o ano 2000 há algo que se chama onda e impulso. O que é isso, vocês sabem, esteve na palestra? Um exemplo concreto: agora eu luto contra a onda — estamos a tentar aguentar, todos cansados, fim de semana. E eu luto contra a onda para que algo vos chegue, e tento despertar o impulso em mim e em vós, para que a onda se transforme num desejo, num sentimento intuitivo elementar de algo novo.
A tarefa: estar sob o impulso, em quê concretamente eu direi depois, para virar uma nova página nas nossas abordagens, direções, formas... Começar de novo. Renascer. Para perceber que o que foi antes foi muito bom, não digo que foi mau, mas já não serve, que muitas formas ficaram obsoletas, que agora, enquanto é dada a energia — ainda restam 98 dias para isso — apressemo-nos a ver em que podemos virar essa nova página, antes que seja tarde demais! Tanto a nível individual como coletivo.
Por isso, percebam-me bem, eu não posso dizer que devemos virar uma nova página nas Forças Vivas, nas manipulas, nas direções, no trabalho com os membros, no primeiro ciclo, quando chegarem novas pessoas, no templo, quando as minhas pessoas dormem, isto é, estão sob o impulso antigo! Não posso! Portanto, um pedido enorme: na segunda parte do encontro teremos de falar sobre isso. Temos, custe o que custar, de nos unir no impulso, apoiar-nos mutuamente, dar, carregar, acender-nos a nós próprios, esforçar-nos muito, para nos tornarmos condutores da mesma força.
E nesse sentido penso que nos corações de muitos, estou a olhar agora, obrigado, ninguém está a dormir já, vejo que muitos estão a gerar ideias, já, enquanto falo, muitos pensam... Um diz: olha, na minha vida pessoal tenho de apanhar isto até 2000 tal e tal. Outro diz – olha, a direcção, talvez por aqui? O terceiro pergunta: e o que faço com os membros passivos que se devem telefonar, são parte deste impulso ou não? O quinto diz: ui, naquela manipula a pessoa a quem eu queria bater, vou abraçar! E outro: ouvir, bater-lhe não é parte do impulso ou é? Outro diz: ai, tenho tanto, tenho de recomeçar isto, isto, isto, isto, ai... E depois ouve a voz do chefe: naquela fila, acorda! Já se mexe. Nem todos. Se isto acontecesse ao mesmo tempo em todos com os seus momentos, já seria o impulso de união. Nos momentos da escola, direcções, graus, aprendizagem... Se cada um tivesse isso, significaria que as FV estariam agora, neste segundo, unidas num impulso ascendente e apanhariam os mesmos arquétipos. E isto significaria que as ideias que agora vagamente surgem na cabeça de cada um, nos seus momentos escolares e pessoais, teriam a característica do conselho do destino sobre como penetrar este impulso mais adiante.
[Após o intervalo] Obrigado por terem vindo a horas, com dois minutos de atraso. Quero apenas lembrar que, no contexto do impulso de que falámos, será bom regressar ao que já se começou a praticar durante o bloco “habilidades”, para que tudo comece, que todos se ajudem a reunir na hora indicada, para não esperar um pelo outro. Isto também, de certo modo, demonstra este impulso de união.
Antes de falar de pontos concretos, permitam-me repetir. Repetição é a mãe da sabedoria. Vejam, novo impulso: não do ensino, mas da sabedoria. Já vamos penetrando aos poucos, mudando os ditados.
Um pouco mais sobre a onda e o impulso no contexto das Forças Vivas e no contexto do que já é simplesmente NECESSÁRIO perfurar de novo até 2000. Não quero inspirar-vos de tal forma que pensem: agora tudo está sob impulso e até 2000 tudo correrá suave, bonito, bem, todos compreenderemos e não haverá mais dificuldades... A transição do encontro de dirigentes para o quotidiano e os problemas deu-nos uma boa lição: por mais que visites uma ilha, a ilha dura um instante, um segundo, um estado que mostra que quando te afastares dela tens de voltar a ela repetidamente. Ainda não merecemos estar na ilha inteiramente; caso contrário não estaríamos aqui.
Por isso lembro novamente. Qualquer impulso em qualquer campo, em qualquer assunto, grande ou pequeno, começa com uma onda. Com dificuldades, com a luta contra dificuldades, que se intensificam mais do que nunca precisamente antes do impulso. Problemas e dificuldades agravam-se mais do que nunca. Tudo aquilo que nos atormentou antes. Todas as faltas, todos os erros, todos os pormenores que mais ou menos passavam, com os quais lutámos de uma forma ou outra. Tudo, antes do impulso, abate-se sobre uma pessoa, comunidade ou individualidade. Numa forma tão forte que nem sequer tens tempo para reagir, para apanhar fôlego. A única coisa que te passa pela cabeça é — já caio! Difícil. É assim que começa o impulso. Terrível, ameaçador. Eu não consigo! Ideais são ideais, mas quando vês o que se passa contigo ou ao redor, que problemas — ai, só resta suportá-los.
O principal que temos de entender até 2000 é que não podemos parar no “suportar”. Agora todas as nossas fraquezas estão a aparecer. E aparecerão intensamente, para serem resolvidas mais depressa. E cuidado! Se estivermos nesta luta e elas nos derrubarem, se exercerem sobre nós tal influência que tudo piore ainda mais. Que os nossos assuntos piorem, que o nosso humor piore. Se ficarmos na atitude do Cristo crucificado, a andar e a dizer — não me toques, tenho uma onda! Se fazes isso, eu caio! Mal me aguento! Não me provoques! Mal tenho equilíbrio! Não me ofereçam mais nada! Vês que mal me aguento! Socorro! Caímos! Ou — está tudo mal! Isto é tão terrível, tão horrível! Vamos fazer alguma coisa! O que é isto? Começamos a agir, impossível. E fico a descansar, porque isto é irreal, porque é tão assustador, tão horrível, tal pânico.
Peço-vos que não evitem a onda. Porque as ondas não se evitam, o estágio de dirigentes demonstrou. Mas reagir a ela adequadamente. Não entrar em pânico. Não aumentar a gravidade, que já é grande. Não armar uma cena histérica. Não dar terreno para que aumentem as dúvidas, as crises, os estados tristes-depressivos da alma que colam as pessoas ao lugar. Não dar motivo para que as mãos se soltem por causa disso. Não dar chão para que, vendo quão longe o sonho está da realidade, se caia em desespero e sensação de falta de saída. Não dar motivo para que nas lutas as pessoas fiquem num espasmo interior, incapazes de sorrir ou brincar. Ver que há outras soluções, outras oportunidades. Não dar que a onda nos domine de facto.
Por isso, o impulso nasce se a onda for suportada, mas suportada naturalmente, com grande humor e muita convicção de que agora é difícil, mas depois não será, vai passar. Nem sequer por fé, mas por convicção de que basta atravessar o túnel até ao fim, falta pouco, e o pior é ficar parado nesse túnel onde não há luz nem se vê a saída. Há que correr para a saída o mais rápido que se sabe e se pode, então o impulso nascerá.
O impulso não nascerá com base nas minhas palavras de hoje. Nascerá com base no facto de que cada um de vós, quando chegar a uma situação realmente difícil... Como vos disse, se alguém quiser bater e encontrar em si a força para abraçar a pessoa, e depois lhe contar por que quis bater. E quando, abraçando-se, disserem: ouve, isto é uma tolice! Vamos dar-nos as mãos, vamos conversar, agora não há tempo, sobre o que nos toca na escola, na família, etc., o que podemos fazer a dois... Assim nasce o impulso. Quando, de uma forma ou de outra, num estado ou noutro — quanto mais pesado, maior o terreno que se cria — nesse estado difícil se supera algo que não é tão óbvio e menos provável: o ânimo, os pensamentos, as crises, a inércia. Dá-se um passo em frente. Começa-se a gerar ideias, ainda que tontas, mas até aí não se geraram de todo. Para que apareça um bocadinho do novo, do que não havia até agora. Então, esse impulso não só enche a alma, não só alivia o cansaço, não só dá asas, como abre reais novas possibilidades. Vêm à cabeça ideias novas sobre o que concretamente pode ser feito, e muito concretas, nada de abstrato. E mais além, vêm os sonhos. Vês uma perspetiva, sabes para onde ir, e o mais importante, mudas o destino, mudas o rumo dos acontecimentos que teriam ido noutra direção completamente diferente, se tu tivesses mantido as tuas dúvidas, ou batido, ou não vindo à reunião das FV ou da manipula, ou não teres abordado este ou aquele membro. O destino teria ido noutra direção.
Se nos for possível traçar até 2000 ações concretas, individuais e coletivas, onde o destino seguia numa direção e, normalmente, não era essa, ou seguia mais longe do eixo, do núcleo. E se através delas, através das nossas abordagens, pensamentos, sonhos, ideais, tentativas, conseguirmos virar algumas coisas na escola, na nossa vida pessoal, dentro de nós mesmos, de modo que tenham definitivamente e irrevogavelmente ido noutra direção, mais para cima e mais perto dos arquétipos, mais perto de Deus, então a nossa tarefa estará cumprida. Foi isto que quis dizer novamente quando disse que repetição é mãe não do ensino, mas da sabedoria.
E imaginem: algum limiar abstrato do ano 2000, no qual nos esperam rostos invisíveis e desconhecidos. Primeiro lá em cima. Sobre os de baixo falarei mais tarde. Com um sorriso. Sabem como os pais esperam a criança que aprende a andar e dizem “aqui, aqui, aqui”? E quando ela vem, não vira nem à direita nem à esquerda, não cai, chega, envolvem-na em braços e dizem “bem, que esperto és, e agora dou-te outra tarefa”. Isto, se imaginássemos. Embora ninguém trabalhe por recompensa, imaginem qual seria a recompensa, a única, embora não a peçamos nem a exijamos. Alguém agora chama e diz “aqui! Cuidado, vais muito à esquerda, muito à direita, frio, quente”. E tu ouves e nos teus esforços tentas aproximar-te. Não digo que isto dá as formas com que sonhámos. Passado 2000, e dizem-te “graças a Deus, agora deixamos que outros sigam o teu caminho”. É isto que quero dizer quando falo de abrir um novo caminho, de forma nova.
E eu, infelizmente ou felizmente, não posso aconselhar-vos em que cada um de vós deve tentar abrir uma nova página, individualmente. Felizmente, porque sois, felizmente, discípulos já suficientemente maduros, adultos, para que cada um saiba em que, até 2000, devia ao menos tentar mudar algo, mesmo que não consiga. Cada um tem as suas falhas, que já fazem parte desta onda, às vezes até até à garganta. Eu sei das minhas, portanto, evidentemente, somos recipientes comunicantes, e vocês também o devem ter, já que eu tenho. Cada um tem certas situações, certos pensamentos, conclusões sobre os quais sabe que deveriam virar noutra direção, mas não tem força para as virar. Portanto deixo isso a vós e à vossa consciência — e a Deus, aos anjos da guarda, ao mestre que vos guiará até 2000, porque isso também é parte do impulso de união. Embora tentemos trabalhar nisso nas Forças Vivas.
Também não posso, nem tenho o direito, mesmo que pudesse, dizer a cada um de vós, do ponto de vista do caminho do discípulo, quais os pontos que devem começar de forma nova. O caminho discipular real na escola chamada Nova Acrópole, nas Forças Vivas, na manipula com o seu nome, com a sua direção, com a sua atitude. Porque todas as formas que passais na escola são formas em que também se vos prova quanto ao discipulado. Cada um de vós é suficientemente honesto, bom, puro, sincero no fundo do seu coração, que já sabe — leio de novo, os pensamentos passam em paralelo em cada um — onde teria de apertar, o que rever de novo, para onde ir de forma nova. O quanto estaremos unidos neste impulso, o tempo o dirá. Espero que estejamos unidos.
Mas vamos sonhar hoje, literalmente sonhar, e combinar coisas que dizem respeito à escola em si. Onde, no que toca à escola, temos de ir de forma nova. Algumas coisas já gerámos; peço-vos muito que completem nas direções, nas manipulas, nos conselhos, porque muito precisa agora ser concluído para juntos vermos onde a escola deve começar de novo, abrir novo caminho, virar nova página, para que não sejamos sugados de volta.
E antes de partilhar convosco, mais uma última coisa. Do modo como chegarmos ao ano 2000, como escola, como FV, e que vestígios ficarão de nós, depende muito. Não sei o quê exactamente, mas sei que depende muito. Depende do destino de muitas pessoas que só agora entrarão na escola em outubro. Depende do destino de pessoas que ainda não amadureceram para vir à escola. Que virão daqui a um ano, dois anos, três anos. Depende do destino dos filhos dos nossos filhos, daqui a cem, duzentos, trezentos anos. E acreditem, isto não é apenas uma bela frase educativa.
E do modo como nós — e não falo só da escola russa, falo de toda a Acrópole — passarmos pelas portas do ano 2000 depende, em certo sentido, a tranquilidade, entre aspas, daqueles de cima que são responsáveis por nós. E que nos deram enquanto Acrópole uma determinada tarefa. A tranquilidade do mestre que sabe que muito depende dos seus discípulos. E que os seus discípulos têm de alcançar isso por si mesmos. A tranquilidade do mestre que diz a alguns dos seus instrutores: “não é cedo, eu convenci-vos, não é cedo! Caso contrário o povo vai desaparecer! Vamos tentar! Garanto que há pessoas boas, elas conseguirão, têm força!”. E que depois de 2000 virá perante eles e dirá ou “sabem, tinham razão”, ou “vêem, valeu a pena!”
Muita coisa está ligada a este impulso, tanto em baixo como em cima, uma grande cadeia que não tem fim nem em baixo nem em cima. Somos pequenos, e graças a Deus não entendemos nada e não nos é dito nada. Mas neste momento, já há muito que isto não se dizia, desses pequeninos — não só a escola russa, mas toda a Acrópole — depende, de facto, o destino do anel que será ou não lançado no abismo do destino.
Acreditem, estou a dizer-vos muito mais do que disse aos dirigentes na reunião. E peço-vos, nem tentem entender, nem tentem apurar o que quero dizer com isto. Talvez eu própria não saiba. Frodo há-de ter sido e será Frodo. Se ele não tivesse conseguido lançar o anel no abismo do destino, ele não teria sido Frodo. Teríamos perdido muito.
O que consola e dá esperança neste momento, além de graças a Deus não sabermos nada, é que aos Frodos da Acrópole não se pede nada assim tão terrível. Caso contrário chegar ao abismo do destino seria muito mais difícil. Na história real do Senhor dos Anéis muitos grandes e belos e desconhecidos fizeram sacrifícios para desviar Frodo de perigos. Deus vê que foi mais difícil para eles do que para nós. Frodo real, pequeno ratinho da história do nabo, tem uma missão real. Enquanto os outros lutam verdadeiramente, ele é pequeno, não se repara nele. Esconder-se, chegar, vencer, furar, experimentar certos estados, alcançar a meta. Portanto, tudo o que vos digo hoje é para dar impulso. Não só para o novo ano lectivo, mas, felizmente ou infelizmente, já para o novo século e para o novo milénio. As pequenas vitórias de que falámos hoje, que serão necessárias, serão as vitórias de Frodo no grande combate da grande fraternidade dos anéis. Da qual não fazemos ideia. E acho que não teremos ideia até à segunda, terceira, quarta, quinta das nossas vidas. Quando ficar claro que o perigo passou.
E por isso, imploro, lembrando o meio, o início e o fim do nosso estágio de verão, outra vez. Há muitas coisas que consideramos problemas e que são na verdade tolices. Há muitas pessoas que consideramos problemas porque na verdade não resolvemos as tolices dentro de nós mesmos. Há muitos assuntos que nos parecem problemáticos porque ainda não percebemos a necessidade de os fazer. IMPLORO, não tornem a vida difícil a si próprios, nem a outras pessoas, nem aos vossos chefes, nem a mim. Nem a HAL, nem a Delia, nem aos que nos observam. Imploro!
Temos muitas faltas. Mas temos uma virtude — cada um de nós tem um coração bondoso. Não somos rancorosos, ou seja, não devemos sê-lo! Não nos agarremos a ofensas. Sabemos perdoar. Sabemos acreditar. Sabemos inspirar a pessoa que neste momento pode ser mais fraca que nós, encontraremos maneira. Sabemos escutar. E sabemos quebrar-nos a nós mesmos, se for necessário PARA ELES!
Do meu ponto de vista, como um pequeno professora agora. Não sei o que ELES vão testar. E vou testar-vos nisso. Se depois de tudo o que foi dito hoje, depois do que foi dito no estágio das Forças Vivas, que muitos já esqueceram. [...] Não temos juízo, e então o que fazer? Não temos a força de vontade na quantidade necessária. Mas há um grande amor que pode dar todo o resto. Coração grande. Grande bondade. Grande possibilidade. Mesmo se formos pelo velho caminho, então retenham isto: este elo na corrente deixará de ser elo! E precisamente depois de 2000, se não antes. Se eu vir que isto realmente destrói todos os outros. Portanto, um pedido enorme. Vença a bondade, a profundidade, a sutileza, o sonho, o amor, o sentido de toda a nossa vida, por que nascemos, todas as nossas tolices humanas, dúvidas, crises, idiotices que neste momento podem atrapalhar tudo. A incapacidade de fazer um esforço nisso diz muito!
Indo ao encontro, há que ajudar, apoiar-nos uns aos outros, apoiar a ideia como se pode. Gerar — mesmo que seja estúpido, idiota — e apoiar — o mais sinceramente possível. Nós conseguimos, o que fazer? Não há nada tão terrível e assustador que possa matar uma pessoa com bondade, compreensão, paciência. E assim, de uma série de coisas onde este impulso deve manifestar-se, falarei do templo.
A primeira honra dos cavaleiros: não julgueis, para que não sejais julgados. Seremos julgados em 2000, por isso vamos sonhar juntos o que há a perfurar, quais serão as marcas concretas pelas quais este nosso impulso será julgado.
A primeira — o templo. Deve ser concluído até 21 de dezembro de 1999. Se não o acabarmos, significa que alguns dos pontos de que falei hoje falharam. E o templo é uma excelente oportunidade para que esses pontos se manifestem. Eu esperava. O problema agora é que perderam-se prazos, como sempre. Ainda vivemos à antiga. E, de facto, apesar de ter sido dado o impulso inúmeras vezes antes do Verão nas reuniões. Implorei-vos, pessoal, prioridade — o templo, sem explicar isto. Agora já sabemos. E se o construirmos como até agora, ainda teremos trabalho por mais um ano. Agora a tarefa é realizar milagres. Graças às novas abordagens, ao impulso, etc. De tudo aquilo que nos atormentou antes e por causa do qual voltámos a perder todos os prazos. Fazer antes de 21 de dezembro. Reflexo de toda a força que vertemos noutros lugares. O problema é real no templo. Embora eu pensasse que, santo dos santos, isto não se refletiria aí. Manifestou-se, sem dúvida, o primeiro problema.
[...] E, por outro lado, com o vosso empenho, com os vossos esforços, trazer à vida aquilo que agora parece apenas um modelo. Quero que seja real. E a nossa tarefa, através destas provas, em dois meses, é passar pela escola de discipulado em pequeno. Para merecer que ela exista em grande, para dar a nossa contribuição. Tanto mais que 2000 é o momento do exame, onde os nomes formais, estes ou aqueles, já não contam. Ou somos Forças Vivas, com todas as virtudes e defeitos, ou não somos, cada um individualmente. Espero que, colectivamente, sejamos Forças Vivas. Isso os testes devem mostrar.
Então, em que forma isto ocorrerá. Uma vez por semana, exceto alguns sábados em que estaremos envolvidos nas entrevistas do primeiro ciclo e na vinda de Delia. Uma vez por semana, aos sábados às 11:00, reúnem-se as Forças Vivas (FV). A fim de estudar comigo, primeiro uma hora e meia sobre os graus concretos que nos dizem respeito. E nessa reunião, através da forma que vos indicaremos, receber a tarefa. No templo, em primeiro lugar, ou em locais prioritários paralelos, ligados às necessidades da escola. Onde os momentos teóricos dos graus se manifestarão na prática. Ou seja, do meu ponto de vista, onde iremos testar cada um de vós, verificar-vos. Quais os pontos concretos — isso saberão durante a reunião. Que tarefas concretas — isso vos será dado. Por que critérios eu analisarei os resultados — permitam-me não os partilhar antes de 2000. Depois sim, ou talvez não, dependendo de como for. Até à próxima reunião das Forças Vivas, esta semana será um teste para o grau de que falámos. Na próxima reunião das FV receberemos novo grau e novos testes. E assim até 21 de dezembro, até ao momento em que deveremos abrir o templo.
Como para mim é muito importante que os resultados, os balanços elementares destes testes, sejam conhecidos não só por mim e pelo chefe do logós ou pela manipula correspondente, e como para mim é importante que, assim como trabalhamos com os candidatos, os resultados elementares dos testes vos sejam conhecidos, introduz-se uma forma peculiar de fazer o balanço da semana. Cada manipula criará, durante o tempo dos testes — como brincámos, inspirados em “Peregrino” — um diário de bordo — um caderno, onde, no final da semana, antes do início da reunião, a manipula fará o balanço dos momentos e tarefas percorridos. Formas mais concretas depois, agora apenas os pontos-chave. Das 11:00 às 11:30 de sábado, a manipula reúne-se de forma expedita, e em 30 minutos discute os resultados da semana passada do ponto de vista dos testes. Durante a conversa registam-se os momentos-chave, e no fim da reunião o chefe da manipula escreve os resultados. O princípio está claro? Para que o sábado seja justamente o impulso, o início dos testes para o grau, que continuarão durante toda a semana.